Uma viagem ao tempo que leva o espectador a um período em que, atentas, as crianças sentavam ao redor dos avós e pais para ouvir as lendas amazônicas que permeiam o imaginário cultural e eram repassadas de geração para geração. Isso é o que propõe o curta-metragem “Vozes da floresta – Contos mágicos da Amazônia”, produzido por Marcus Ramon Aquino.
As viagens pelo rio eram embaladas pelas histórias e a imaginação das crianças fervilhava: “Antigamente, as pessoas se vestiam com muita roupa social, linho, e a gente ficava olhando as pessoas subindo o barranco e pensando se aquilo ali era um boto, se ia se transformar, isso fazia parte do nosso imaginário quando criança”.
A ideia do diretor é fortalecer a mitologia amazônica, preservando o patrimônio cultural. O curta, lançado na quarta-feira, 26, foi produzido com o financiamento do governo federal, por intermédio da Lei Paulo Gustavo, em parceria com o governo do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). (Veja o vídeo abaixo)
O vídeo está disponível nas plataformas digitais e deve ser reproduzido nas escolas do estado. O cenário explora o ambiente lúdico de contação de histórias e o conhecimento transmitido oralmente, numa interação entre gerações. O curta-metragem traz a narrativa de um avô que reúne seus netos ao entardecer, para compartilhar histórias e lendas mágicas.
“Com o elenco, toda a ambientação do vídeo foi pensada justamente para ser algo lúdico e de época, para que faça realmente essa conexão com o passado, porque hoje, infelizmente, não temos mais esse costume de sentar e conversar; devido a interações de redes sociais, muitas famílias não têm mais esse costume de sentar e contar histórias”, explica o diretor.
Preservação da cultura
Para Aquino, o trabalho divulgado nas escolas remete ao resgate cultural que precisa ser preservado, para que os mais jovens conheçam essa mitologia que ainda hoje é muito pulsante em algumas regiões da Amazônia.

“O curta não é só um entretenimento, pois tem um papel educativo e cultural muito importante, muito forte. Então, mostrar essas histórias para as crianças e jovens é uma forma de reforçar esse entretenimento e despertar o interesse pela nossa cultura, estimular o interesse nas crianças e nos adolescentes. Colocar isso disponível nas escolas é uma forma de atingir uma massa maior e fazer eles lembrarem que a gente tem uma cultura rica e muito importante”, reforça.
O presidente da FEM, Minoru Kinpara, destacou que esse tipo de trabalho desenvolvido com incentivos culturais preservam a história do estado e fortalecem o sentimento de pertencimento.
“Ficamos imensamente felizes em colocar o recurso para poder fazer com que as pessoas conservem, divulguem, investiguem e propaguem ainda mais a nossa cultura, por meio de diversos segmentos e manifestações culturais. E as nossas tradições são fundamentais, até para que a nossa população, inclusive a população mais jovem ainda, que está em formação, possa conhecer”, observa.
Via Secom




