ENTRETENIMENTO

Da estreia turbulenta à glória: relembre a trajetória de Messi com a seleção argentina

Por Guilherme Silva

Da estreia turbulenta à glória: relembre a trajetória de Messi com a seleção argentina

Craque viveu mais de duas décadas de altos e baixos com a Albiceleste, passou por finais perdidas, chegou a anunciar aposentadoria e terminou a história como campeão mundial e um dos maiores ídolos do país

Lionel Messi (Crédito: Reprodução Instagram @leomessi)

A história de Lionel Messi com a seleção argentina vai muito além dos títulos. Entre cobranças, derrotas dolorosas, críticas e até uma aposentadoria anunciada, o craque construiu uma trajetória de mais de duas décadas até se tornar campeão mundial e um dos maiores ídolos da Albiceleste. Aos 39 anos, ele encerrou seu ciclo internacional como maior artilheiro e jogador que mais vestiu a camisa da Argentina. Mas como uma promessa que deixou o país ainda adolescente se transformou em um dos maiores símbolos de sua seleção? Relembre essa história.

Tudo começou antes da seleção principal

Nascido em Rosario, Messi deixou a Argentina ainda adolescente para seguir carreira no Barcelona. A possibilidade de defender a Espanha, inclusive, fez a Associação do Futebol Argentino se movimentar para garantir que a joia vestisse a camisa albiceleste.

Veja as fotos

Lionel Messi segue obliterando recordes pela Argentina na Copa do Mundo.Foto: Reprodução Instagram @afaseleccion D10S: Messi se transforma no maior artilheiro da Argentina ao marcar 3 gols em estreia / Foto: Reprodução Instagram @afaseleccion Lionel MessiReprodução/x: @Argentina

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Em 2004, a AFA organizou uma partida da seleção Sub-20 contra o Paraguai para que Messi pudesse representar oficialmente a Argentina nas categorias de base. No ano seguinte, o atacante conquistou o Mundial Sub-20, disputado na Holanda, como protagonista: marcou dois gols na final contra a Nigéria, vencida pelos argentinos por 2 a 1.

A estreia pela equipe principal aconteceu em 17 de agosto de 2005, contra a Hungria. E não poderia ter sido mais inusitada. Messi entrou no segundo tempo e foi expulso apenas 47 segundos depois, após atingir um adversário que o segurava. O jovem deixou o campo chorando e viveu um primeiro capítulo difícil justamente com a camisa que, anos depois, carregaria como capitão.

O primeiro grande título veio em Pequim

Antes de conquistar troféus com a seleção principal, Messi voltou a celebrar com a Argentina nos Jogos Olímpicos de 2008.Em Pequim, o atacante integrou a equipe que conquistou a medalha de ouro. Na decisão, a Argentina venceu a Nigéria por 1 a 0, com gol de Ángel Di María.

O ouro olímpico, porém, não resolveu a relação complicada que Messi ainda teria com parte da torcida argentina.

O peso de ser comparado a Maradona

À medida que se transformava em protagonista do Barcelona, Messi também passou a carregar uma expectativa cada vez maior na seleção. A comparação com Diego Maradona se tornou inevitável.

O problema é que o sucesso vivido no clube não se repetia em forma de títulos pela Argentina. Messi disputou a final da Copa América de 2007, mas a equipe perdeu para o Brasil.

Anos depois, vieram algumas das derrotas mais dolorosas de sua carreira. Na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, a Argentina chegou à decisão, mas perdeu para a Alemanha na prorrogação. Um ano depois, novamente em uma final, a equipe foi derrotada pelo Chile na Copa América.

Em 2016, o roteiro se repetiu. Argentina e Chile voltaram a decidir a Copa América, e os chilenos novamente levaram a melhor nos pênaltis. Foram três finais perdidas em sequência.

A aposentadoria que durou pouco

Depois da derrota para o Chile em 2016, Messi anunciou que estava deixando a seleção argentina. O jogador havia acabado de perder sua quarta final pela equipe principal e não escondia a frustração com o momento.

A decisão, entretanto, não durou muito. Messi retornou à Albiceleste e continuou tentando conquistar o título que faltava em sua carreira internacional. A pressão, porém, permaneceu até que uma nova geração começasse a transformar o ambiente da seleção.

2021: finalmente, um título com a Argentina

A virada definitiva aconteceu na Copa América de 2021. Depois de 28 anos sem conquistar um título com a seleção principal, a Argentina chegou novamente à decisão. O adversário era justamente o Brasil, no Maracanã.

Com gol de Ángel Di María, a Albiceleste venceu por 1 a 0 e conquistou a Copa América. Para Messi, aquela noite representou a primeira grande taça com a seleção principal. A conquista também mudou a relação do craque com os torcedores argentinos. A partir dali, a história seria outra.

A Finalíssima antes do sonho maior

Menos de um ano depois, Messi e companhia conquistaram mais um troféu. Na Finalíssima de 2022, a Argentina enfrentou a Itália, campeã da Eurocopa, em Wembley. A seleção sul-americana venceu por 3 a 0 e levantou mais uma taça. O título serviu também como preparação para o grande objetivo daquele ano: a Copa do Mundo do Catar.

Catar 2022: o capítulo que faltava

Se havia uma conquista capaz de mudar definitivamente a relação de Messi com a história do futebol argentino, era a Copa do Mundo. No Catar, o camisa 10 assumiu o protagonismo desde o início. A campanha começou com uma derrota para a Arábia Saudita, mas a Argentina reagiu e avançou até a decisão.

Na final, contra a França, Messi marcou duas vezes. A partida terminou empatada por 3 a 3 após a prorrogação, e a Argentina venceu nos pênaltis.

Messi finalmente era campeão mundial. Além da taça, o argentino terminou a competição como um dos grandes protagonistas do torneio e recebeu a Bola de Ouro da Copa do Mundo. Foi a consagração definitiva de uma trajetória que, durante anos, havia sido questionada justamente pela ausência do título mais importante.

Mais uma Copa América antes da despedida

A história vencedora continuou em 2024. Nos Estados Unidos, a Argentina chegou novamente à final da Copa América, desta vez contra a Colômbia. Em uma decisão que precisou da prorrogação, Lautaro Martínez marcou o gol da vitória por 1 a 0.

Messi, que deixou o campo lesionado e chorando durante a partida, comemorou mais um título continental. Foi a segunda Copa América conquistada pelo atacante, depois da vitória em 2021.

O último capítulo

A Copa do Mundo de 2026 marcou a última participação de Messi em um Mundial. Aos 39 anos, o atacante conduziu a Argentina novamente até a final, mas a equipe acabou derrotada pela Espanha.

O resultado encerrou uma sequência que começou ainda na adolescência e passou por seis Copas do Mundo: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026.

Ao longo desse caminho, Messi passou de promessa questionada a líder da seleção. Viveu derrotas que o fizeram pensar em abandonar a equipe, voltou atrás, conquistou a Copa América, a Finalíssima, a Copa do Mundo e novamente a Copa América.

Os títulos de Messi pela Argentina

A coleção de troféus pela seleção reúne seis conquistas principais: o Mundial Sub-20 de 2005, a medalha de ouro olímpica de 2008, a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024.

Na equipe principal, Messi encerra a trajetória como recordista de partidas e gols pela Argentina. Segundo dados divulgados após sua despedida, foram 207 jogos e 125 gols.

Mais do que a quantidade de títulos, a trajetória explica por que a relação entre Messi e a Argentina se tornou tão particular: ele precisou primeiro conquistar o direito de ser reconhecido por seu próprio país para, anos depois, terminar justamente como um de seus maiores símbolos.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Guilherme Silva.