O filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a ser investigado após uma série de suspeitas envolvendo emendas parlamentares, contratos públicos e o financiamento da produção, com recursos ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
4 imagens1 de 4
Filme de Bolsonaro é alvo de investigação da PF por relação com o Master
Reprodução3 de 4
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Reprodução4 de 4
Dark Horse conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro
Reprodução
Nesta quinta-feira (10/9), um dia após o ministro André Mendonça homologar a delação de um empresário que relatou empasses para o fundo ligado ao financiamento do filme, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, que tem entre os alvos o deputado Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme.
As apurações buscam identificar se recursos do orçamento público — indicados por parlamentares federais e estaduais para projetos culturais e esportivos — foram indireta ou diretamente canalizados para financiar ou viabilizar a estrutura da obra cinematográfica gravada em inglês.
Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasVer todas as newsletters
As suspeitas incidem sobre redes de entidades sem fins lucrativos e empresas terceirizadas, entre elas o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Veja a cronologia:
- O filme aborda a história de Jair Bolsonaro até a chegada à Presidência da República e ganhou notoriedade após a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pedir apuração de repasses de emendas parlamentares destinadas à produtora do filme.
- Na ocasião, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, determinou que o deputado Mario Frias apresentasse informações sobre a destinação dos recursos.
- À época, Frias negou ao STF de que teria destinado R$ 2 milhões em emendas para o filme. A defesa do deputado pediu o arquivamento da apuração e afirmou que a informação sobre o uso dos recursos para a produção é “absolutamente falsa”, ressaltando que a verba não foi destinada a qualquer produção cinematográfica.
- Em maio, o Intercept Brasil revelou conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro nas quais é mencionado um pagamento de aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme. O valor discutido teria chegado a cerca de R$ 134 milhões.
- Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
- O dinheiro teria sido enviado a um fundo nos Estados Unidos gerido pelo advogado brasileiro Paulo Calixto, aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive autoexilado no Texas.
Delação
Nessa quarta-feira (9/9) o ministro André Mendonça homologou o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, mais conhecido como “Mineiro”.
O empresário é dono da “Entre Investimentos”, empresa usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro para repassar recursos para o filme Dark Horse, que é sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O empresário tinha fechado o acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que enviou o caso para Mendonça decidir se homologava ou não.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Maria Eduarda Maia.




