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Declarações de Trump reacendem disputa sobre Ilhas Malvinas

Por Laura Braga
Chip Somodevilla/Getty Images

Declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltaram a colocar no centro do debate a disputa entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas, arquipélago localizado no Atlântico Sul e administrado pelos britânicos desde o século XIX.

Na segunda-feira (31/8), Trump afirmou que Washington estaria reavaliando sua posição sobre as ilhas. Questionado por jornalistas no Salão Oval sobre uma possível mudança na política americana, o presidente respondeu que costuma revisar todas as posições e que a questão das Malvinas seria apenas uma entre várias em análise.

A declaração ganhou ainda mais repercussão nesta semana, quando Trump evitou dizer se os Estados Unidos apoiariam o Reino Unido em um eventual novo conflito militar com a Argentina. Em entrevista à emissora britânica GB News, ele voltou a criticar o governo britânico pela falta de apoio às operações militares americanas contra o Irã.

Historicamente, os Estados Unidos mantêm uma posição de neutralidade em relação à disputa de soberania. Ao mesmo tempo, Washington reconhece a administração britânica sobre o arquipélago. Uma eventual mudança nessa postura representaria uma importante alteração diplomática e poderia aumentar as tensões entre Buenos Aires e Londres.

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do Metrópoles

Milei aproveita declaração e endurece discurso

As declarações de Trump foram recebidas pelo presidente argentino, Javier Milei, como um possível sinal favorável à reivindicação de seu país. Em pronunciamento nacional realizado na quinta-feira, Milei afirmou que existem sinais de uma mudança internacional em relação à questão das Malvinas e voltou a defender a recuperação da soberania argentina sobre o arquipélago.

O presidente argentino também anunciou novas medidas para pressionar empresas envolvidas em projetos de exploração de petróleo na região. O governo pretende ampliar as sanções contra companhias que participem de atividades consideradas ilegais pela Argentina e encaminhar ao Congresso um projeto de lei voltado à defesa da soberania nacional.

Entre as empresas envolvidas está a britânica Rockhopper Exploration, em parceria com a israelense Navitas Petroleum, que planeja avançar com o projeto petrolífero Sea Lion, no norte da bacia das Malvinas. Buenos Aires considera a exploração de recursos naturais na área uma violação de seus direitos sobre o território.

Milei também anunciou o reforço da estrutura militar argentina no extremo sul do país, com prioridade para a construção de uma base naval na província de Terra do Fogo.

Reino Unido reage

O governo britânico respondeu às declarações argentinas reafirmando que sua posição sobre as Malvinas permanece inalterada. O secretário de Defesa, Wes Streeting, afirmou que o compromisso britânico com o arquipélago é “absoluto e inabalável”.

Londres sustenta que a soberania das ilhas deve ser determinada pela vontade de seus habitantes. Em um referendo realizado em 2013, quase todos os moradores votaram pela permanência das Malvinas como território britânico ultramarino.

A Argentina, por outro lado, considera as ilhas parte de seu território e afirma que a reivindicação é respaldada por razões históricas e jurídicas. A disputa permanece reconhecida internacionalmente, sem que haja uma solução definitiva sobre a soberania.

Mais de quatro décadas após a guerra

A questão das Malvinas carrega um forte peso histórico e político para os dois países. Em 1982, tropas argentinas ocuparam o arquipélago, dando início a uma guerra com o Reino Unido que durou cerca de dois meses. O conflito terminou com a vitória britânica e deixou mais de 900 mortos entre militares dos dois lados e moradores das ilhas.

Mais de 40 anos depois, a disputa continua sendo um dos principais temas da política externa argentina. A recente mudança de tom de Trump e o endurecimento das medidas anunciadas por Milei reacendem as tensões em torno de um território cuja soberania permanece contestada.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Laura Braga.