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Defesa de tia que impediu sequestro de bebê diz que ela teme ser presa: “Muito abalada”

Por Heloísa Cipriano

Exclusivo Defesa de tia que impediu sequestro de bebê diz que ela teme ser presa: “Muito abalada”

Ao portal LeoDias, o advogado Carlos Eduardo Costa contestou o indiciamento, afirmou que Daniela Beatriz agiu sob forte abalo emocional e negou qualquer intenção de prejudicar a supervisora

A defesa de Daniela Beatriz, tia da recém-nascida que impediu uma tentativa de sequestro dentro de uma maternidade de Teresina, no Piauí, afirmou que ela teme se manifestar publicamente após ser indiciada por crimes contra a honra. Em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, concedida ao repórter Ronaldo Mota, o advogado Carlos Eduardo Costa disse que a cliente está psicologicamente abalada: “Está muito abalada psicologicamente. A todo momento, ela questiona a nós o que pode e o que não pode ser falado. Se pode se expressar e o que não pode expressar, porque ela está com medo”, declarou.

Daniela foi indiciada pela Polícia Civil do Piauí pelos crimes de calúnia, difamação e injúria contra uma supervisora da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa. Segundo a delegada Amanda Bezerra, a tia da bebê publicou imagens e declarações que associavam a profissional à tentativa de sequestro. No entanto, a investigação concluiu que a funcionária não teve participação no crime e que a técnica de enfermagem investigada teria agido sozinha.

Veja as fotos

Daniela Beatriz com a sobrinhaCrédito: Reprodução Globo Neste momento, tia estava com a criança para entregar nos braços de Auricélia, acreditando que a bebê passaria por cuidados médicosCrédito: Reprodução Globo Momento em que Daniela, tia da criança, questionou AuricéliaCrédito: Reprodução Globo Neste momento, Daniela descobriu que Auricélia estava com a criança na bolsaCrédito: Reprodução Globo Daniela Beatriz, que impediu sequestro da sobrinha recém-nascidaCrédito: Reprodução Instagram/@beatrizdaniela605

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De acordo com Carlos Eduardo, existe uma medida cautelar que impede Daniela de citar o nome, divulgar imagens ou compartilhar informações que identifiquem a supervisora. O advogado afirmou que o descumprimento da decisão pode resultar em multa de R$ 500 a R$ 5 mil e que o temor de sofrer novas consequências judiciais agravou o estado emocional da cliente: “Ela está com muito receio, com medo de ser presa”, disse. O defensor ressaltou ainda que Daniela vive com a família no interior do Piauí e enfrenta dificuldades para compreender a dimensão jurídica e a repercussão do caso.

A defesa sustentou ainda que as publicações foram feitas logo após uma situação de extrema tensão, sem a intenção de prejudicar a reputação de terceiros. Em nota divulgada anteriormente, os advogados afirmaram que Daniela estava sob forte abalo emocional e se comprometeria a não voltar a mencionar pessoas que, de acordo com a investigação, não possuem qualquer ligação com o episódio.

Durante a entrevista, Carlos Eduardo questionou o indiciamento e afirmou não compreender como Daniela passou de responsável por impedir a retirada da sobrinha da maternidade a investigada por manifestações feitas nas redes sociais: “Eu não consigo compreender como é que uma pessoa que age como heroína tem sido atacada desta forma, com a acusação desse nível”, afirmou.

O advogado também levantou um debate sobre a forma como atos de coragem praticados por mulheres são reconhecidos. Para ele, homens que salvam crianças em situações de afogamento ou engasgo costumam ser tratados como heróis, enquanto a atuação de Daniela estaria sendo relativizada.

Na avaliação de Carlos Eduardo, as gravações feitas por Daniela foram decisivas tanto para impedir o crime quanto para tornar o caso público: “Se a Daniela não tivesse filmado o sequestro da sobrinha dela, se ela não tivesse ido atrás, será que tinha evitado o sequestro? Será que a sobrinha dela não tinha caído no índice de sequestro que hoje está em volta? Eu não tenho dúvida que sim”, questionou. Em seguida, reforçou a posição da defesa: “A Daniela agiu com heroísmo. A Daniela, em nenhum momento, tentou contra a honra de ninguém. Ela não caluniou, ela não difamou”.

Relembre o caso:

A tentativa de sequestro ocorreu em 6 de julho. Segundo a investigação, uma técnica de enfermagem abordou a família alegando que levaria a recém-nascida para a realização de exames antes da alta hospitalar. Daniela desconfiou da atitude da profissional e decidiu acompanhá-la. Imagens de câmeras de segurança mostram a técnica circulando com a criança e, posteriormente, entrando em um banheiro. Ela teria trocado de roupa e colocado a bebê dentro de uma bolsa. Ao abordar a suspeita, Daniela encontrou a sobrinha e retirou a criança do local. A técnica de enfermagem foi localizada dias depois em uma unidade psiquiátrica e teve a prisão preventiva decretada.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Heloísa Cipriano.