A deflação de 0,32% em agosto, registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), reforça as apostas de analistas para um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) na Selic, a taxa básica de juros da economia, na próxima semana. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano.
A manutenção ou eventual corte do atual patamar será deliberado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelos diretores do Banco Central. O encontro começa na terça-feira e o resultado deve sair no fim da tarde de quarta-feira (16/9).
O que é IPCA
- O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
- Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
- O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
- O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
Economista da Genial Investimentos, Gabriel Pestana considera que a deflação de agosto, a primeira do ano, não altera as projeções para a inflação anual da instituição, atualmente em 5,0%, mas corrobora para o corte.
“A leitura não altera de forma relevante o diagnóstico para a inflação corrente, que é de uma dinâmica benigna pelo lado da oferta, enquanto serviços seguem registrando pressão na composição. “O número de hoje não muda nossa projeção de 5,0% para 2026, bem como expectativa de corte da Selic em 25 pontos na próxima reunião do Copom. Seguimos projetando 13,75% de Selic para 2026”, diz ele.
Julio Barros, economista do banco Daycoval, diz que a deflação já era esperada, mas veio com aspectos um pouco diferentes do que as estimativas da instituição.
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do Metrópoles
“Do ponto de vista de serviços, que é um grupo importante para o Banco Central, a gente teve também um resultado melhor do que o esperado. Do ponto de vista do Banco Central, isso não deve alterar o quadro. A nossa expectativa se mantém com uma queda de 0,25% nessa próxima reunião em setembro”, destaca Barros.
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Considerando o encontro que inicia na próxima terça, o Copom ainda tem outras três reuniões neste ano. Para o mercado, no entanto, o indicativo é que haverá apenas mais um corte de 0,25 p.p.
No último relatório Focus, elaborado pelo BC a partir de respostas de agentes do mercado,a projeção é de que a Selic fique em 13,75% ao ano ao final de 2026. Como o índice está em 14%, haveria apenas mais uma redução de 0,25 p.p.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, acredita em ao menos mais um corte de 0,25 p.p., levando o índice para 13,75% ao ano. Foi que ele disse na sexta em uma entrevista para a Rádio Band News, quando falou na condição de coordenador do projeto econômico da campanha do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à reeleição.
“Deve terminar o ano com 13,75% ou mais baixa, não tem grandes oscilações, o que é ruim”, afirmou.
Calendário do Copom
- 15 e 16 de setembro;
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.
Além da inflação, outro indicador que favorece o corte na Selic é o crescimento econômico em menor ritmo. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano, divulgado pelo IBGE na última terça-feira (1º/9), mostrou desaceleração da economia. O país cresceu 0,5% de abril a junho, resultado mais modesto do que o verificado no trimestre anterior, de 1,1%.
Além do número, chamou a atenção a redução na demanda, puxada pelo item de consumo das famílias. Este tópico recuou 0,4% ante um crescimento de 0,8% no primeiro trimestre deste ano. Este é um dos pontos de atenção dos diretores do Banco Central na hora de definir a taxa Selic.
A Selic é o principal instrumento para o controle da inflação. Ao subirem os juros, há um desincentivo ao consumo, ou seja, para que a redução na procura por produtos e serviços leve ao controle da inflação. Com o consumo das famílias em baixa, reduz-se um dos aspectos para a pressão para a manutenção da Selic mais elevada.
A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Nos últimos 12 meses, a inflação acumula alta de 4,22%, abaixo do teto (4,5%). No ano, ou seja, no acumulado de janeiro a agosto do IPCA, a elevação corresponde a 3,11%.
Inflação de agosto
A deflação de agosto teve como carro-chefe a retração no grupo habitação, que recuou -1,87%, puxado pela energia elétrica residencial. O item recuou 7,63% no mês. O índice verificado em habitação é o menor para um mês de agosto desde o Plano Real (1994).
A queda na conta de energia foi motivada pelo Bônus de Itaipu. O desconto ocorre após resultado positivo da chamada Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu, mecanismo que reúne receitas e custos da operação da hidrelétrica.
No fim de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que iria distribuir cerca de R$ 767,2 milhões em agosto. A retração na conta de energia ocorreu mesmo diante da aplicação da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Deivid Souza.




