O delegado Carlos Alberto da Cunha, 43 anos, conhecido como Da Cunha, apareceu encostando o ouvido na porta de um barraco da favela da Nhocuné, na zona leste da cidade de São Paulo, para ordenar a invasão do local, com pé na porta. “Polícia! Deita, deita”, gritaram.
“Depois soube que a gravação não era para o processo, mas, sim, para o canal do YouTube do delegado Da Cunha e isso lhe deixou extremamente indignado, especialmente porque o delegado mentiu sobre a gravação. […] Frisa que o que policial que realmente o libertou do cativeiro [nem] sequer participou daquela gravação”, complementou o homem, no início deste mês.
O delegado Denis Ramos de Carvalho, ex-braço-direito de Da Cunha, relatou que o colega praticamente só comparecia ao trabalho nos dias de operações, com o objetivo de realizar a filmagem da ação. Da Cunha, segundo Carvalho, dizia estar muito atarefado com seu canal no YouTube.
A Folha de S. Paulo disse que, questionado, Da Cunha não respondeu sobre as acusações.
Os depoimentos da vítima e de colegas do delegado constam em inquérito da Promotoria que apura suposto enriquecimento ilícito de Da Cunha.




