O deputado estadual Guto Zacarias (Missão-SP) protocolou no Ministério Público de São Paulo uma notícia-crime contra o candidato a deputado federal e ativista pró-Palestina Thiago D’Ávila (PSol-SP), por supostamente retirar e adulterar a placa oficial da Rua Estado de Israel, na capital paulista, no domingo (20/9).
Na notícia-crime, Guto Zacarias sustenta que a alteração da sinalização pública ultrapassou os limites de uma manifestação política. Para o deputado, a placa pertence ao município e sua retirada ou adulteração configura dano ao patrimônio público.
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da Coluna Grande Angular
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Deputado da Missão, Guto Zacarias
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Thiago D’Ávila
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Segundo Guto Zacarias, a expressão “Do Rio ao Mar” representa uma defesa da eliminação de Israel e de seu povo. A partir dessa interpretação, o deputado argumenta que a conduta pode configurar prática ou incitação à discriminação ou ao preconceito contra judeus.
“O ato ultrapassa os limites da manifestação política e do debate público, ingressando na esfera criminal e eleitoral”, escreveu Guto Zacarias na notícia-crime.
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Ao Ministério Público, o deputado pede o recebimento da notícia-crime e a responsabilização de Thiago D’Ávila pelos crimes apontados na peça. Caso o órgão entenda que não há elementos suficientes para apresentar denúncia, Guto Zacarias pede a abertura de inquérito policial ou de procedimento de investigação pelo próprio Ministério Público.
Thiago D’Ávila ganhou notoriedade em 2025 ao participar de uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza. Ele estava a bordo do barco Madleen ao lado da ativista sueca Greta Thunberg e de outros integrantes do grupo quando a embarcação foi interceptada por forças israelenses em águas internacionais. Os ativistas ficaram sob custódia e posteriormente foram deportados.
Posicionamento de Thiago D’Ávila
Em posicionamento enviado à reportagem, Thiago Ávila negou que tenha retirado, destruído ou danificado a placa. Segundo ele, a ação consistiu na colocação temporária de um adesivo removível sobre a sinalização. Ávila afirmou que não houve quebra ou pichação e que o adesivo foi retirado em menos de uma hora, mantendo a placa íntegra.
O candidato também rejeitou a interpretação atribuída por Guto Zacarias à expressão “Palestina Livre, do rio ao mar”. Segundo Ávila, a frase não representa defesa da eliminação de Israel ou do povo judeu. Ele afirmou atuar em defesa dos direitos do povo palestino e na crítica política ao Estado de Israel e ao sionismo.
Ávila também declarou rejeitar “o antissemitismo e qualquer forma de violência ou discriminação contra a população judaica”.
Para ele, a notícia-crime apresentada por Guto Zacarias parte de premissas que não correspondem ao que ocorreu e representa, em sua avaliação, “uma tentativa de explorar eleitoralmente o episódio e gerar repercussão em torno de uma ação que não provocou qualquer dano ao patrimônio público”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Felipe Salgado.




