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Na Capital da Farinha, moradores veem o Deracre melhorar os caminhos da produção

Mailza destaca trabalho do Deracre nos ramais que atendem famílias e produtores da zona rural de Cruzeiro do Sul

Redação Por

Na varanda de casa, Deval Vieira do Nascimento, 67 anos, está sentado em uma cadeira de madeira. Ao lado, Cleonice Silva, 52, se acomoda sobre as sacas de farinha.

Casados, os dois chegaram ao Ramal 2 Campinas, na zona rural de Cruzeiro do Sul, em 1990, e desde então dividem a vida entre a agricultura, a farinha, o buriti e os caminhos que, durante muito tempo, precisaram ser percorridos a pé, de canoa ou pela mata.

Agora, o Deracre trabalha para melhorar esse acesso na comunidade, onde vivem cerca de 50 famílias. É no verão que o serviço avança pelos ramais, antes da chegada das chuvas.

Para quem vive ali, a estrada acompanha quase tudo: a produção que precisa chegar à cidade, os filhos que precisam ir à escola, as compras que precisam voltar para casa. É por ela que a rotina da comunidade segue.

Foi sobre essa vida que a governadora Mailza Assis falou durante o lançamento da Operação Verão no Juruá, em Cruzeiro do Sul, ao destacar o trabalho que vem sendo feito nos ramais:

“É uma das maiores operações do nosso estado, muito aguardada pelo produtor rural. Estamos disponibilizando toda a estrutura necessária para garantir melhores condições de tráfego, fortalecer a produção e melhorar a qualidade de vida das famílias da zona rural”, afirmou Mailza.

A farinha está nas sacas ao lado de Cleonice. Deval conhece o que acontece quando a estrada deixa de dar passagem.

Antes de se tornar agricultor, foi seringueiro e conheceu aquelas terras pela BR-307, quando a região ainda fazia parte de um assentamento do Incra.

“Eu fui seringueiro. Fui pra BR-307 e daí nós descobrimos essas terras pra cá. A terra aqui é boa.”

Naquele tempo, o acesso era uma picada pela mata. Antes da abertura da BR, a farinha seguia até a ponta do ramal e depois de canoa pelo Lagoinha.

“Daqui pra Cruzeiro do Sul, viajava pra ponta desse ramal e descia de canoa pro Lagoinha. Isso antes da abertura da BR. A pé, carregando o barco. No outro dia de manhã ia pra cidade. Era dois dias. E muita água, né? Muita água, porque no inverno aqui.”

Muitas dessas famílias trabalham com farinha. Deval lembra de uma época em que a produção precisava encontrar outros caminhos para chegar à cidade. A casa dele acabou entrando nessa rota.

“Antes a gente tinha muita dificuldade pra tirar as coisas daqui. Os vizinhos deixavam a produção na minha varanda e depois vinham buscar de boi. Agora o Deracre está fazendo o serviço e a gente fica na esperança de passar o inverno com o ramal melhor.”

Cleonice acompanhou essas mudanças dentro de casa e na comunidade. Para ela, cada melhoria no acesso acaba alcançando outras partes da vida de quem mora ali.

“A estrada melhorando, melhora a vida da gente também. Fica mais fácil levar o que a gente produz, buscar as coisas na cidade e até para os nossos filhos estudarem. A gente vê que está melhorando.”

Quando precisa, Deval ainda sabe por onde seguir. O antigo caminho de seringueiro, conhecido desde os primeiros anos na região, continua guardado na memória e já foi uma das formas de chegar à BR.

“Se eu não tiver uma condução aqui, eu tenho um caminho de seringueiro, como a gente chama. Um caminho aqui na mata. A gente bota botijão de gás na carroça, pega um caminhão lá na BR, faz a feira e vem por aqui.”

É uma passagem que ele aprendeu a conhecer nos detalhes. Até uma árvore caída podia mudar o percurso.

“Às vezes, tem que levar até motosserra pra rolar uma madeira que, às vezes, caiu no caminho.”

A mesma passagem aparece nas lembranças de Cleonice. Foi por ela que os filhos fizeram parte do caminho até a escola. Criados na agricultura, precisavam sair de casa, alcançar a BR e seguir viagem.

Durante um período, aquela passagem pela mata era o único acesso. Foi nesse trajeto que um dos meninos encontrou uma surucucu.

“Outro menino que mora aqui, a cobra surucucu agarrou na perna. A cobra mordeu a sandália. Tiveram que matar a cobra pra evitar o pior. Isso foi quando ele estava passando pelo caminho de seringueiro, que era o único acesso à escola.”

Os filhos seguiram seus próprios caminhos. Uma filha foi para Manaus e outro filho hoje mora em Ji-Paraná. Cleonice permaneceu e acompanhou as mudanças da comunidade. Na escola da vila da Onça, ela percebe uma diferença que também passa por quem está na sala de aula.

“Mas hoje a escola daqui melhorou. O grau de professor aqui, na vilazinha da Onça.”

O transporte dos estudantes também mudou. Uma condução percorre cerca de 20 quilômetros para levar os alunos. Quando o carro não conseguia avançar por todo o trecho, uma moto fazia o restante do percurso.

“Tem uma condução que carrega aluno por vinte quilômetros. Quando deixou várias vezes o carro aqui, porque daqui pra frente ele vem… Aí já vinha uma motozinha rasgando lá no pneu lambeiro, pra poder daqui levar e fazer o transporte dos moradores.”

Cleonice viu essas mudanças acontecerem dentro de casa e na comunidade. A estrada, para ela, alcança a vida de todos.

“Quando a estrada melhora, pra todo mundo melhora.”

A conversa volta para a terra. As sacas de farinha continuam ao lado de Cleonice. Deval fala de farinha, buriti, pimenta, pepino e de quem precisa de transporte para levar o que produz até a cidade.

“Ele planta pepino, planta pimenta e está bamburrando. Agora eu que não tenho transporte aqui… como que faz para levar? A terra é boa, a gente tem vontade de trabalhar, só precisa ter como levar.”

É a partir dessa realidade que Deval acompanha o trabalho do Deracre no ramal. Depois de uma vida inteira conhecendo os caminhos da região, ele vê o serviço que está sendo realizado como uma possibilidade de melhorar a passagem para quem mora e trabalha ali.

“O Deracre está fazendo um bom trabalho aqui, e isso deixa a gente mais tranquilo. A gente espera que o ramal fique bom para passar no inverno também, porque aí melhora para todo mundo e nós não ficamos isolados.”

A expectativa de Deval está ligada ao que acontece depois da porteira: à produção que precisa sair, às pessoas que precisam chegar e à vida que segue na comunidade.

“É a zona rural que coloca comida na mesa das pessoas.”

Deval Vieira
Deval Vieira
Cleonice Silva
Cleonice Silva
Ramal
Ramal

Casal de agricultores ao lado de sacas de farinha produzidas no Ramal 2 Campinas em Cruzeiro do Sul.
Casal de agricultores ao lado de sacas de farinha produzidas no Ramal 2 Campinas em Cruzeiro do Sul.