A recuperação do Ramal do Extrema, em Manoel Urbano, melhora o acesso de famílias que vivem da agricultura e dependem do caminho para produzir e transportar a produção. Executado pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), o serviço contempla baixadas, aterros, bueiros e três pontes que receberam estaqueamento. Os recursos foram destinados quando Mailza Assis exercia o mandato de senadora.
“A recuperação dos ramais tem um impacto direto na vida de quem vive da agricultura familiar. É por esses caminhos que a produção sai das propriedades e chega à cidade, mas também por onde as famílias precisam passar todos os dias. Melhorar esses acessos é dar mais condições para que os produtores continuem trabalhando e para que essa produção chegue a quem precisa”, afirma Mailza Assis.
Valdir de Sousa, 57 anos, mora há seis anos no Ramal do Extrema. Na propriedade, planta café, feijão e milho. Ele lembra que, antes do trabalho do Deracre, o deslocamento era feito a cavalo, de burro, com boi e até em zorra.
“Rapaz, antes era só sofrimento. A gente saía no lombo de cavalo, de burro, puxando com boi, em zorra. Era desse jeito para conseguir entrar e sair daqui”, lembra.
Há cerca de dois anos, o irmão de Valdir ficou doente e precisou ser retirado da propriedade. Hoje, ele percebe a diferença nos trechos onde o Deracre está trabalhando.
“Agora está ficando bom, muito bom. Está melhorando bem, porque aqui tinha uns pontos críticos. Eu torço para que fique melhor ainda. Pelo serviço do Deracre, eu acredito que vai ficar muito bom”, afirma.
A história de Raimundo Honorato da Silva, 65 anos, também está ligada ao Ramal do Extrema. Há 50 anos ele trabalha com macaxeira e, há 15, vive na comunidade. Hoje, 11 produtores trabalham com farinha, seis deles nascidos ali. O trabalho é feito em grupo, com nove pessoas se revezando na atividade.
Em um dia de produção, são 14 sacas, cerca de 700 quilos de macaxeira. Ao longo do ano, o grupo chega a produzir aproximadamente 30 toneladas de farinha, que abastecem Manoel Urbano e também seguem para Santa Rosa do Purus e Rio Branco.
Para Raimundo, a chegada das equipes do Deracre já faz diferença para quem vive e produz no ramal.
“Quem conheceu isso aqui antes e está vendo como está hoje, rapaz, eu mesmo não acreditava que um dia ia ver isso aqui. Aí chegam as máquinas, vem a equipe do Deracre, fazem um bueiro, fazem um aterro. Para nós é uma satisfação muito grande. Uma melhoria dessas ajuda a nossa produção a aumentar. Para mim, um ramal é tudo na vida”, conta.
O acesso também interfere na rotina das famílias. Raimundo lembra de moradores que já precisaram ser retirados da comunidade por problemas de saúde. Hoje, a família conta com dois quadriciclos para os deslocamentos. Além da macaxeira, ele começou a plantar café e pretende ampliar as possibilidades de produção na propriedade.
“A terra aqui dá para plantar tudo. E agora estou plantando café.”
Do Extrema, a farinha segue para Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus e Rio Branco. O ramal também é usado pelas famílias para estudar, fazer compras, buscar atendimento e resolver as tarefas do dia a dia. As intervenções do Deracre melhoram as condições de circulação nesses trechos.
Raimundo reconhece o que já foi feito e espera que a recuperação avance pelos trechos que ainda faltam. Ele diz que a melhoria ajuda os 11 produtores que trabalham com farinha na comunidade.
“Estamos bastante satisfeitos pela melhoria que foi feita. Foi feita as baixadas, mas para nós, que somos 11 produtores e trabalhamos com a farinha, já fez diferença”.
Valdir também espera que o trabalho alcance outros caminhos da região.
“Quanto mais, melhor. Não só aqui para esse ramal, mas para todos os ramais daqui do município de Manoel Urbano que precisam desse serviço.”





