A prestação de serviços de tratamento de água e esgoto para a população rural enfrenta diversos obstáculos que vão desde a necessidade de tecnologias específicas até a falta de interesse político e financiamento adequado. Segundo Gesmar Rosa dos Santos, técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) do Ipea, as fragilidades estruturais do setor, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, dificultam a oferta de saneamento básico adequado para comunidades rurais, onde o esgotamento sanitário apresenta um grande déficit de atendimento.
Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, ressalta a falta de investimentos e a ausência de participação nos contratos de concessão como fatores que atrasam as obras de infraestrutura. A responsabilidade muitas vezes recai sobre as prefeituras, uma vez que os contratos com as concessionárias de saneamento frequentemente limitam-se às áreas urbanas.
Percy Soares Neto, diretor executivo da ABCON SINDCON, associação das operadoras privadas de saneamento, aponta a escassez de soluções escaláveis para operadores qualificados atuarem nas comunidades rurais como um desafio adicional. Ele enfatiza a necessidade de programas que levem assistência técnica especializada para essas áreas e a importância do apoio do poder público para transformar ideias em ações concretas.
Para Santos, do Ipea, a falta de decisão dos governos em apoiar iniciativas das comunidades e elaborar projetos e obras é um entrave significativo. Ele destaca a importância de soluções alternativas e simplificadas, individualizadas ou coletivas, para levar água potável e melhorar o saneamento básico nas áreas rurais.
Em suma, a superação dos desafios no acesso ao saneamento básico no campo exige um compromisso conjunto entre governo, sociedade civil e setor privado, visando garantir o direito fundamental à saúde e ao bem-estar para todas as comunidades, independentemente de sua localização geográfica.
Via Brasil61.





