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DF: gestor de Hospital Veterinário culpa tutor por abandono de cadela

Por Thalita Vasconcelos
Imagem obtida pelo Metrópoles

O supervisor do Hospital Veterinário Público de Brasília (Hvep), Armando José Basílio Filho, investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA) por suspeita de maus-tratos a uma cadela abandonada na porta da unidade, alegou que não houve omissão por parte da gestão do hospital e afirma que a orientação dada à equipe foi acionar imediatamente a polícia diante da suspeita de crime de abandono por parte do tutor.

Em relatório técnico, Armando rebateu as acusações de que o hospital teria se recusado a prestar assistência ao animal. Segundo o gestor, a cadela não estava dentro das dependências da unidade, mas amarrada a uma lixeira em área pública próxima ao hospital.

A investigação teve início após denúncias de que uma cadela teria sido abandonada nas proximidades do Hvep e permanecido horas no local sem acolhimento, na última sexta-feira (17/7).

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do Metrópoles DF

O responsável pelo animal procurou o hospital por volta das 15h40, relatando que a cadela apresentava problemas dermatológicos. Entretanto, a triagem para novos pacientes já havia sido encerrada às 15h, conforme as regras de funcionamento da unidade.

Armando afirma que a cadela não apresentava sinais aparentes de urgência ou emergência, como hemorragias, insuficiência respiratória, convulsões ou traumas graves, motivo pelo qual o tutor foi orientado a retornar no próximo dia útil para atendimento regular.

De acordo com o relatório, pouco menos de uma hora depois, um veterinário da equipe enviou ao gestor uma fotografia da cadela já amarrada a uma lixeira nas proximidades do hospital, acompanhada da informação de que poderia se tratar de abandono.

“Acionamento imediato” da polícia

Armando afirma que, ao tomar conhecimento da situação, determinou imediatamente que a autoridade policial fosse comunicada.

Segundo ele, eventual abandono de animal é uma infração penal cuja apuração cabe aos órgãos de segurança pública. O relatório enfatiza que “em nenhum momento houve orientação para ignorar a situação ou deixar de adotar providências”.

O documento também registra que, ao deixar o hospital por volta das 17h, o gestor constatou que o animal continuava no mesmo local, ainda sem a chegada da polícia. Na ocasião, populares já haviam fornecido água e alimento à cadela.

Armando disse que, por volta das 20h, recebeu informações da médica veterinária plantonista de que equipes das polícias Civil e Militar haviam comparecido ao local e determinado a admissão imediata do animal na internação do hospital.

Conforme o relato, a veterinária teria explicado aos policiais que o acolhimento extrapolava as atribuições do Hvep, mas afirmou ter se sentido coagida durante a abordagem. Diante da situação, ela teria internado a cadela e assinado documentos na condição de fiel depositária do animal.

Um dos principais argumentos apresentados pelo gestor é que o Hvep não possui atribuição legal para recolher animais abandonados.

Segundo Armando, o hospital foi criado para prestar assistência veterinária dentro de regras específicas e não atua como abrigo, centro de acolhimento ou serviço de captura de animais. Também não realiza atendimento inicial em regime de 24 horas.

O gestor afirma que, por essa razão, a internação da cadela fora do fluxo regular de atendimento não encontrava respaldo nas normas que regem o funcionamento da unidade.

Entenda o caso 

  • Uma cadela supostamente doente foi abandonada na entrada do Hvep na sexta-feira (17/7).
  • O tutor teria amarrado a cadela em uma grade externa do hospital e a abandonado no local.
  • De acordo com testemunhas, o coordenador do Hvep negou atendimento ao animal e teria dito que era para soltá-lo, pois “não era um problema do hospital”.
  • Uma equipe da DRCA compareceu no hospital veterinário Após receber várias denúncias anônimas de que a cadela abandonada estava presa havia mais de quatro horas.
  • No momento em que os policiais estiveram no Hvep, o coordenador responsável pela unidade não estava mais na unidade.

Medo de criar precedente

Além de defender a atuação da equipe, Armando alerta para possíveis impactos administrativos decorrentes do caso.

Segundo o relatório, admitir animais abandonados fora dos critérios oficiais de atendimento pode criar na população a percepção de que abandonar animais na porta do hospital é uma forma eficaz de garantir acolhimento imediato.

O documento afirma que esse entendimento poderia “estimular novos abandonos, sobrecarregar a capacidade operacional da unidade e comprometer o atendimento dos pacientes regularmente admitidos”.

Por isso, o gestor recomenda a criação de um protocolo conjunto entre a Secretaria Extraordinária de Proteção Animal, o HVEP, as forças de segurança e outros órgãos envolvidos na proteção animal para definir como agir em situações semelhantes.

Armando aponta, por fim, que não houve recusa injustificada de atendimento nem conduta omissiva por parte da gestão do hospital, sustentando que todas as medidas adotadas seguiram as competências legais do Hvep e priorizaram o bem-estar do animal dentro dos limites institucionais da unidade.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Thalita Vasconcelos.