Nesta sexta-feira (11/9), é comemorado o Dia Nacional do Cerrado. O bioma é considerado o “berço das águas” no Brasil por abrigar importantes nascentes que ajudam a abastecer grandes bacias hidrográficas, como as dos rios São Francisco, Tocantins-Araguaia, Paraná e Paraguai.
O Cerrado também abriga mais de 320 mil espécies de animais e ocupa cerca de 23% do território nacional, incluindo o Distrito Federal. Infelizmente, a vegetação nativa sofre constantemente com o avanço do desmatamento, o que contribui para o agravamento dos períodos de seca na região.
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“Floresta invertida”
Ao Metrópoles, a bióloga Aline Costa Botelho explica que a expressão “floresta invertida” ajuda a explicar algo interessante sobre o Cerrado: muitas plantas possuem raízes profundas, que podem chegar a vários metros abaixo da superfície.
“Essas raízes ajudam a deixar o solo mais preparado para receber a água da chuva, criando caminhos por onde ela consegue penetrar. Além disso, a vegetação protege o solo e ajuda a manter a matéria orgânica, que também contribui para a retenção de água”, afirma Aline.
Na época de estiagem, é essa água armazenada no subsolo que mantém o fluxo das nascentes e dos rios que abastecem a população do DF. Dessa forma, o Cerrado funciona como uma grande “esponja natural” e um reservatório estratégico para garantir o equilíbrio hídrico da capital.
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do Metrópoles Vida & Estilo
Períodos de seca
Segundo a gestora da escola Maple Bear Sudoeste, quando a chuva consegue se infiltrar no solo, parte da água desce para regiões mais profundas e, aos poucos, pode chegar aos aquíferos, grandes reservas de água subterrânea.
“É por isso que a preservação do Cerrado é tão importante: a água que entra no solo durante o período de chuva pode ajudar a manter os rios funcionando mesmo quando chega a época de seca. É uma espécie de reserva natural de água que não conseguimos enxergar, mas que está ali, debaixo dos nossos pés.”
Aline Costa ressalta que quando a vegetação nativa é retirada, a capacidade do solo de absorver a água da chuva pode ser prejudicada. Sem a proteção das plantas e das raízes, a água tende a escorrer mais pela superfície, aumentando os riscos de erosão e assoreamento dos rios.
Além disso, a menor infiltração de água no solo pode reduzir a quantidade que chega às reservas subterrâneas e, a longo prazo, afetar a disponibilidade hídrica de nascentes e rios.
Precisamos proteger o Cerrado
Preservar uma área que ainda está intacta é muito mais fácil do que tentar reconstruir um ambiente depois que ele foi degradado. Por isso, além de recuperar áreas já afetadas, é fundamental proteger os trechos de Cerrado que ainda permanecem preservados.
“Nas áreas que precisam ser recuperadas, podemos utilizar espécies nativas do Cerrado, proteger nascentes, recuperar as margens dos rios, controlar a erosão e adotar práticas que ajudem o solo a absorver novamente a água”, diz a bióloga.
Vale atenção redobrada para as áreas que ainda estão preservadas. “Talvez essa seja a principal mensagem: quando olhamos para o Cerrado, muitas vezes enxergamos apenas a vegetação que está acima da terra. Mas existe uma enorme ‘floresta’ de raízes abaixo dela, trabalhando silenciosamente para garantir a água que teremos amanhã”, conclui Aline Costa Botelho.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Francisco.




