
A taxa de cura do câncer de próstata pode alcançar até 98% quando o diagnóstico é feito de forma precoce. A estimativa é do urologista Gilberto Laurino Almeida, supervisor de robótica do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Segundo o médico, as chances de recuperação dependem do estágio da doença e do momento em que o tratamento é iniciado. “Quando diagnosticado no início, o câncer de próstata tem alta taxa de cura. Já em estágios avançados, as chances diminuem significativamente”, explicou Almeida.
Durante o 40º Congresso Brasileiro de Urologia, que ocorrerá em Florianópolis (SC) entre os dias 15 e 18 de novembro, a SBU promoverá um mutirão de atendimentos gratuitos para alertar sobre o câncer de próstata e oferecer exames preventivos. Homens com suspeita da doença serão encaminhados para biópsia e tratamento.
O médico ressaltou que entre 85% e 90% dos casos são esporádicos, sem origem familiar, e reforçou a importância de consultas anuais com o urologista. “A prevenção é, na verdade, o diagnóstico precoce. Quando o tumor é identificado na fase inicial, a grande maioria dos pacientes é curada”, disse.
Almeida também comemorou a decisão do Ministério da Saúde de incorporar a cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata no Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento — conhecido como prostatectomia radical assistida por robô — permite maior precisão na remoção dos tumores e menor risco de sequelas.
Apesar do avanço, o especialista destacou que a implantação da tecnologia enfrenta desafios. “O problema é que o SUS ainda não possui robôs suficientes para atender a demanda. Os equipamentos são caros, exigem estrutura e equipes treinadas, o que leva tempo”, explicou.
Segundo ele, muitos hospitais públicos não têm condições financeiras de adquirir a tecnologia de imediato, o que pode atrasar a oferta do serviço. “Embora a portaria estabeleça 180 dias para a efetivação, é provável que a implementação demore mais, e nem todos os pacientes terão acesso de forma imediata”, afirmou.
Como funciona a cirurgia robótica
A cirurgia robótica é semelhante à laparoscopia, mas utiliza braços mecânicos controlados pelo cirurgião a partir de um console. O procedimento oferece visão tridimensional e movimentos mais precisos, reduzindo riscos e o tempo de recuperação do paciente.
Em casos de câncer de próstata localizado e sem metástase, o tratamento cirúrgico com auxílio de robôs pode alcançar índices de cura de até 98%, segundo Almeida.
Ele reforçou que, apesar do avanço da tecnologia, o passo mais importante continua sendo o diagnóstico precoce. “O homem precisa vencer o medo e procurar o médico. Detectado no início, o câncer de próstata tem altíssima chance de cura”, concluiu.




