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Disputa no KM 21 em Sena: Comprador apresenta comprovantes e diz ter pago R$ 2,05 milhões

Documentos apresentados à reportagem mostram transferências destinadas ao antigo proprietário e pagamentos relacionados a depósito judicial; defesa contesta versão apresentada anteriormente.

Redação Por

A disputa judicial envolvendo a propriedade conhecida como Colônia Betel, no KM 21, entre Sena Madureira e Rio Branco, ganhou mais um capítulo. Após a manifestação do antigo proprietário, a defesa do comprador apresentou ao YacoNews comprovantes bancários que, segundo o advogado, demonstram pagamentos que totalizam R$ 2,05 milhões relacionados à negociação.

Entre os documentos entregues à reportagem estão comprovantes de transferências diretamente para Manoel Izidoro da Silva Filho, antigo proprietário da área.

Um comprovante do Banco do Brasil registra uma transferência de R$ 200 mil, realizada em 21 de agosto de 2025, identificada como “Pagamento terra 21”, destinada a Manoel.

Outro documento registra R$ 100 mil, transferidos em 20 de agosto de 2025 para a mesma conta.

Há ainda comprovante do Bradesco mostrando uma transferência de R$ 100 mil, realizada em 10 de março de 2025 diretamente para Manoel Izidoro.

Além desses documentos, a defesa apresentou à reportagem outros comprovantes, incluindo transferências de R$ 800 mil e duas de R$ 50 mil, destinadas ao antigo proprietário.

Defesa também apresenta R$ 499,9 mil em pagamentos judiciais

Outro ponto apresentado pela defesa envolve valores relacionados à disputa judicial.

Dois comprovantes do Banco do Brasil mostram pagamentos realizados em 15 de junho de 2026, sendo um de R$ 450 mil e outro de R$ 49.910, ambos destinados ao Banco do Brasil e identificando Márcio dos Santos Beraldo como devedor.
Somados, esses dois pagamentos chegam a R$ 499.910.

Segundo o advogado do comprador, considerando os pagamentos feitos diretamente ao vendedor e os valores depositados judicialmente, o montante relacionado ao negócio alcançaria R$ 2,05 milhões.

Versões agora estão em confronto

A documentação apresentada surge após o representante de Manoel Izidoro afirmar que o comprador teria descumprido o contrato, inclusive com uma parcela de R$ 500 mil que teria vencido em março de 2026.

A defesa do comprador, por sua vez, contesta essa narrativa e utiliza os comprovantes para sustentar que parte substancial do valor negociado foi efetivamente paga.

Comprovantes bancários apresentados pela defesa do comprador na disputa envolvendo propriedade no KM 21.
Comprovantes bancários apresentados pela defesa do comprador na disputa envolvendo propriedade no KM 21.

Prédio comercial de R$ 550 mil também vira ponto de divergência

Outro ponto da disputa envolve um prédio comercial em Rio Branco, avaliado em R$ 550 mil, que teria sido utilizado como parte da entrada na negociação da propriedade rural.

Na manifestação apresentada anteriormente, o representante de Manoel Izidoro afirmou que o imóvel entregue como parte do pagamento não pertenceria ao comprador e alegou que teriam sido utilizados documentos de uma terceira pessoa que também não seria a proprietária legal do bem.

A defesa do comprador, entretanto, apresentou ao YacoNews uma declaração assinada por Welinton Consoline de Macedo, com firma reconhecida em cartório, na qual ele afirma ser proprietário do prédio comercial localizado na Rodovia Transacreana, nº 1.095, bairro Boa Vista, em Rio Branco, e confirma que o imóvel foi objeto da negociação entre Márcio dos Santos Beraldo e Manoel Izidoro da Silva Filho.

No documento, datado de 12 de junho de 2026, Welinton declara serem “inverídicas” as alegações de que teria se recusado a transferir o imóvel para Manoel ou para quem tivesse direito. Ele afirma ainda que nunca criou obstáculos para a conclusão do negócio e que sempre esteve à disposição para realizar os procedimentos necessários à transferência da propriedade.

A declaração também informa que Welinton está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Com o novo documento, a questão envolvendo o prédio comercial passa a apresentar versões diretamente conflitantes: enquanto a parte do antigo proprietário questiona a propriedade e a transferência do imóvel, a defesa do comprador apresenta uma declaração do terceiro envolvido afirmando ser proprietário e estar disposto a efetuar a transferência.

Os documentos apresentados acrescentam elementos importantes ao caso, mas não cabe à reportagem concluir qual das partes tem razão na disputa contratual. Também será necessário considerar o contrato, a natureza de cada pagamento, seus respectivos vencimentos e as decisões existentes no processo.

Caberá à Justiça analisar se os valores apresentados correspondem às obrigações previstas na negociação e quais efeitos terão sobre a disputa pela propriedade.

O YacoNews continuará acompanhando o caso e mantém espaço aberto às partes para o contraditório.