A doença da paca no Acre voltou ao centro das atenções após um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificar contaminação em 48% das pacas analisadas nos municípios de Rio Branco e Sena Madureira. A infecção, considerada silenciosa e potencialmente fatal, pode atingir seres humanos e muitas vezes é confundida com doenças como hepatite e gastrite.
A pesquisa revelou que o hábito de alimentar cães domésticos com vísceras cruas de paca pode estar ampliando o ciclo de transmissão do parasita Echinococcus vogeli, responsável pela equinococose policística neotropical, conhecida popularmente na região como “doença da paca”.
Ao ingerir órgãos infectados, especialmente o fígado da paca, os cães passam a eliminar ovos do parasita nas fezes, aumentando o risco de contaminação humana dentro das próprias residências, por meio do contato com solo, objetos ou alimentos contaminados.
A pesquisa acompanhou 78 famílias em comunidades tradicionais de Rio Branco e Sena Madureira entre maio de 2022 e dezembro de 2023. Entre os dados levantados, os cientistas identificaram que 78% dos entrevistados dependem da caça para alimentação ao longo do ano. Além disso, todas as propriedades visitadas possuíam cães, e cerca de 80% deles consumiam regularmente vísceras cruas dos animais abatidos.
Nos seres humanos, a doença costuma evoluir lentamente e sem sintomas claros nos estágios iniciais. Febre, dores abdominais, náuseas e perda de peso podem demorar meses ou anos para aparecer, o que frequentemente leva a diagnósticos equivocados.
Em casos mais graves, os cistos provocados pelo parasita comprometem órgãos internos, podem causar icterícia persistente e, em parte dos pacientes, evoluir para hemorragias severas e risco de morte.
O diagnóstico é feito principalmente por exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia, enquanto o tratamento costuma exigir cirurgia associada ao uso de medicamentos antiparasitários.




