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Dólar sobe e Bolsa afunda com temor de alta de juros nos EUA

Por Carlos Rydlewski
Jackal Pan/Getty Images

O dólar opera em alta de 0,36% frente ao real, cotado a R$ 5,12, às 10h30 desta sexta-feira (4/9). Na véspera, a moeda americana registrou pequena queda de 0,07%.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), no mesmo horário, cai 1,01%, aos 183,2 mil pontos. No pregão anterior, o indicador manteve-se estável, com uma pequena baixa de 0,01%, aos 185,1 mil pontos.

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Na agenda do dia, o fato mais aguardado era a divulgação do “payroll” (literalmente, folha de pagamento) de agosto, o principal relatório sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. Ele é um dos indicadores mais importantes usados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para definir a política monetária do país.

Acima do esperado

Em agosto, foram criadas 162 mil vagas de emprego. O número ficou muito acima das projeções de mercado, que estimavam a abertura de 55 mil postos de trabalho. Em julho, o indicador havia mostrado um saldo negativo de 21 mil (revisado, agora, para mais 23 mil). A taxa de desemprego em agosto manteve-se em 4,1%, como esperado pelos analistas.

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Na avaliação de Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, sediada em Nova York, os números mostram uma economia forte e resiliente, que continua crescendo apesar de turbulências como o tarifaço e o choque do petróleo provocado pela guerra no Irã.

“Acredito que o dado aumenta as chances de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros americana na reunião de setembro do Fed”, diz Flores. “O número reforça que estamos diante de uma economia aquecida. Entretanto, agora, o principal fator de decisão do BC americano sobre os juros será a estimativa de inflação, que será divulgada na próxima semana.”

Impacto nas ações

Marcelo Bassani, sócio da Boa Brasil Capital, acredita que o impacto imediato dos números do relatório de empregos pode ser negativo para ativos de risco, como as ações negociadas em bolsas. “O ‘payroll’ forte dá ao Fed espaço para aumentar os juros”, afirma. “O Ibovespa, que chegou a registrar 11 altas seguidas e a atingir a casa dos 188 mil pontos, pode mostrar um novo comportamento.”

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a reação imediata do mercado, com alta do dólar e das taxas dos Treasuries (os títulos da dívida dos EUA), mostra que os investidores passaram a atribuir mais peso ao cenário de uma possível alta de juros pelo Fed. “A força do mercado de trabalho retira qualquer contrapeso à prioridade declarada por Kevin Warsh (o presidente do Fed) no combate à inflação ainda distante da meta de 2%”, afirma.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Rydlewski.