Um dos protagonistas da fraude conhecida como Caso Naskar, o empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, completou dois meses foragido da Justiça brasileira por supostamente desviar R$ 60 milhões da fintech Zema Financeira, empresa da família do candidato à presidência Romeu Zema (Novo). Mesmo com mandado de prisão em aberto, Douglas Azara segue ostentando nas redes sociais e passeando por cidades como Madri, na Espanha, e Dubai, nos Emirados Árabes.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expediu, em 1º de julho, mandado de prisão preventiva contra Douglas Azara pela fraude contra a empresa do grupo Zema. Porém, mesmo considerado foragido, Douglas deixou o país e viajou de primeira classe para Dubai no dia 15 de julho.
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Douglas chegou a publicar vídeos de uma viagem a Madri, na Espanha, durante o período da Copa do Mundo. No Brasil, quando já tinha mandado de prisão em aberto, o empresário chegou a aparecer em Stories do Instagram jogando pôquer na companhia de influenciadores com milhões de seguidores, como Nobru, Boca de 09 e Pyong Lee.
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do Metrópoles DF
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Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha
Reprodução/Instagram2 de 8
Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha
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Douglas compartilhou três carrões usados por ele, em Dubai
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Douglas Azara, famoso após aparecer como comprador da Naskar, surge como mentor de fraude contra Grupo Zema
Arte de Lara Abreu/Metrópoles sobre foto de redes sociais5 de 8
Douglas Silva de Oliveira, 26 anos
Divulgação6 de 8
Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações
Redes sociais7 de 8
O empresário postou fotos em viagem a Dubai
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Douglas ostenta carros de luxo nas redes sociais
Reprodução/Instagram
Fraude de R$ 60 milhões
- A Zema Financeira, que tem sede em Araxá (MG), foi alvo de ataque cibernético que desviou cerca de R$ 75 milhões da instituição financeira. Deste montante, R$ 60 milhões teriam sido subtraídos pelo esquema comandado por Douglas Azara. A própria empresa identificou a invasão, no fim de 2025, e acionou as autoridades por meio de notícia-crime.
- A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) revelou que a maior parte do prejuízo causado pela invasão cibernética contra o Grupo Zema acabou na conta da empresa Jabuti Capital, que tem Douglas Silva de Oliveira Azara como único sócio.
- Ao conseguir burlar o acesso ao sistema da Zema Financeira, o grupo orquestrado por Douglas realizou acessos diretos às chaves de pagamento da instituição. Em seguida, quitou boletos falsos e fez transferências milionárias para empresas de fachada e contas de “laranjas”.
- A PCMG identificou a participação de oito pessoas no esquema e, até o momento, já prendeu seis. Entre os envolvidos estão namorada de Douglas, a advogada Jessika Lorrane e o seu cunhado, Maycon Douglas.
- Além de Douglas, Alex Sander Gomes Junior e Thays de Alvarenga Cardoso da Silva, que figuraram no esquema como peças do núcleo financeiro e operacional de “laranjas” utilizado pela organização criminosa, são os únicos que seguem foragidos da Justiça com mandado de prisão em aberto.
Avó com Alzheimer
Entre as pessoas investigadas, estão a avó materna de Douglas, Célia Fátima Ferreira, mulher de 77 anos que teve a empresa Naskar transferida para o seu nome. A idosa teria feito mais de 300 pagamentos em boletos bancários no valor de R$ 2 milhões. Apesar de ela ser investigada, a Polícia Civil constatou que Célia já não responde por si por ter diagnóstico de Alzheimer. Douglas aparece como representante legal da avó.
Durante o inquérito que apura o ataque cibernético contra a Zema Financeira, empresa ligada à família do ex-governador de Minas, Romeu Zema, a Polícia Civil de MG destacou uma relação de exploração e uso consciente da vulnerabilidade por parte de Douglas contra a própria avó.
Apesar de aparecer ligada a dezenas de empresas do neto com capital milionário, a mulher reside atualmente em um apartamento de classe média dentro de um condomínio localizado em Uberlândia (MG). O mesmo endereço também era utilizado por Douglas até meados de 2025.
Ex-sócios da Naskar presos
Ex-donos da Naskar, os empresários Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato seguem presos desde o dia 22 de julho e são investigados por fraude financeira. No último dia 20 de agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas corpus impetrado pelo trio.
Mais conhecido como Maurício Jahu, José Maurício é um ex-atleta de vôlei. Fez carreira no Clube Atlético Pirelli, de São Paulo, e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Maurício Jahu ainda foi treinador e modelo antes de decolar em uma segunda profissão, a de apresentador de TV. Trabalhou na ESPN Brasil durante cerca de 20 anos.
Marcelo Liranco Arantes, por sua vez, é sócio-administrador de outras três empresas, além da fintech. Já Rogério Vieira comanda duas companhias do ramo financeiro.
Clientes seguem em espera
Em meio às prisões dos ex-sócios e fuga do atual comprador da fintech que debochava dos investidores por meio das redes sociais, os clientes estão há mais de três meses na esperança de recuperar os valores investidos.
Em maio de 2026, empresas ligadas a Douglas anunciaram publicamente a suposta aquisição da Naskar pelo montante de R$ 1,2 bilhão. O perfil do empresário, que já morou em quitinete na Asa Norte, em Brasília (DF), e foi estudante de medicina na Universidade de Brasília (UnB), chamou a atenção dos clientes.
Com processos contra os ex-sócios, Douglas e a avó, milhares de clientes aguardam a Justiça para reaver os valores investidos.
Para se ter ideia da gravidade da situação, um único empresário tinha R$ 3,9 milhões investidos na Naskar; um bancário possuía R$ 2,3 milhões aplicados; um aposentado aportou R$ 1 milhão. Todos os exemplos são de moradores do Distrito Federal.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por João Paulo Nunes.




