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Dores na coluna: 5 hábitos comuns que podem agravar o problema

Por Andressa Sarkis
Gilaxia/Getty Images

O problema está longe de ser isolado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor lombar atingiu 619 milhões de pessoas em 2020 e poderá alcançar 843 milhões até 2050. A condição é considerada a principal causa de incapacidade no mundo, e a maioria das pessoas deve apresentar ao menos um episódio ao longo da vida.

Os dados dizem respeito especificamente à lombalgia, definida como a dor localizada entre a parte inferior das costelas e os glúteos. Em aproximadamente 90% dos casos, não é possível atribuir o quadro a uma única doença ou alteração estrutural, o que significa que fatores físicos, psicológicos, sociais e relacionados ao estilo de vida podem contribuir para o desconforto.

Fisioterapeuta aponta alguns hábitos cotidianos que podem intensificar a dor na coluna

Cinco hábitos que podem intensificar as dores na coluna

À coluna Claudia Meireles, o fisioterapeuta ortopédico Jônatas Carolino apontou hábitos aparentemente inofensivos que merecem atenção. Confira!

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do Metrópoles

  1. Passar várias horas na mesma posição

Ficar sentado não provoca, necessariamente, uma lesão na coluna. O problema está em permanecer na mesma posição durante longos períodos, sem oferecer ao corpo oportunidades de movimento.

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (NIOSH) explica que manter uma posição estática por muito tempo pode aumentar a fadiga muscular e prejudicar o fluxo sanguíneo, mesmo quando a postura adotada é considerada neutra.

“Você está muito tempo em pé, senta um pouco. Está muito tempo sentado, levanta um pouco, faz um alongamento. São hábitos que vão ajudar a prevenir esse tipo de disfunção, associadas, logicamente, à prática de atividade física”, orienta Jônatas.

Para quem trabalha em escritório, o fisioterapeuta sugere levantar pelo menos uma vez a cada hora para caminhar, buscar água ou movimentar o corpo. A recomendação coincide com a orientação da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (OSHA), que aconselha uma pausa de cinco minutos a cada hora de trabalho no computador.

O uso prolongado do celular merece o mesmo cuidado. Mais do que uma posição isolada da cabeça, são o tempo de exposição, a falta de alternância e a tensão muscular que podem provocar desconforto. A OSHA recomenda manter os ombros relaxados, os braços próximos ao corpo e evitar flexionar excessivamente o pescoço para olhar a tela.

  1. Manter uma rotina sedentária

A baixa prática de atividade física está entre os fatores de risco reconhecidos pela OMS para a dor lombar inespecífica. O sedentarismo pode reduzir o condicionamento necessário para enfrentar as exigências da rotina, sobretudo quando a pessoa permanece horas sentada ou realiza esforços sem estar preparada.

“Sedentarismo e posturas mantidas por muito tempo, seja deitado, em pé ou sentado, estão entre os hábitos mais preocupantes”, afirma o fisioterapeuta.

Exercícios voltados ao fortalecimento muscular podem ajudar na prevenção e no controle das dores. A musculação é uma das possibilidades, mas não precisa ser a única. A OMS recomenda programas de exercícios como parte do tratamento da lombalgia crônica, desde que a prática seja adaptada às condições e às necessidades de cada pessoa.

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Musculação é imprescindível para combater as dores

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Fortalecimento muscular, com o devido acompanhamento, é recomendado na prevenção das dores na coluna

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Os exercícios físicos são de grande importância no tratamento da dor lombar

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OMS alerta para a importância do exercício físico

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  1. Carregar bolsas pesadas sempre no mesmo lado

O peso da bolsa, o tempo durante o qual ela é transportada e a repetição do hábito também podem favorecer tensão e desconforto. Quando a carga permanece sempre no mesmo ombro, o corpo tende a realizar compensações para manter o equilíbrio.

“Se eu carrego a bolsa ou a mochila em apenas um dos lados, esse lado acaba ficando mais tensionado”, explica Jônatas.

O NIOSH inclui o transporte de cargas, as torções e o levantamento de objetos volumosos entre os fatores físicos relacionados a distúrbios musculoesqueléticos no ambiente de trabalho.

Para reduzir a sobrecarga, a orientação é evitar levar peso desnecessário, alternar o lado da bolsa e, quando possível, optar por uma mochila com as duas alças ajustadas. O hábito isolado, no entanto, não permite afirmar que uma pessoa desenvolverá hérnia de disco, condição com origem multifatorial.

  1. Levantar objetos pesados sem preparo

Tentar carregar uma carga acima da própria capacidade, especialmente de maneira brusca ou com movimentos de rotação, pode aumentar o risco de lesões musculoesqueléticas.

O órgão britânico Health and Safety Executive (HSE) recomenda aproximar o objeto do corpo, adotar uma posição estável, evitar torcer as costas durante o movimento e não tentar erguer cargas que não possam ser controladas com segurança. Quando houver dúvida, o ideal é pedir ajuda.

O risco não depende apenas do peso. A distância da carga em relação ao corpo, a frequência do movimento, o tempo dedicado à tarefa e o grau de rotação também influenciam a exigência física.

  1. Dormir mal e negligenciar a recuperação

Uma noite de sono ruim não causa, sozinha uma lesão na coluna, todavia, pode interferir na recuperação do organismo e aumentar a percepção do desconforto. A OMS inclui o sono adequado entre as medidas de autocuidado recomendadas para pessoas com lombalgia.

“A noite de sono mal dormida é uma das situações do dia a dia que podem favorecer esses problemas”, pontua Jônatas.

Não existe, entretanto, um modelo de colchão ou travesseiro que funcione para todas as pessoas. A escolha precisa considerar conforto, sustentação, posição para dormir e condições individuais. Caso a pessoa acorde frequentemente com dor ou perceba piora progressiva, uma avaliação profissional pode ajudar a identificar os fatores envolvidos.

Quando a dor exige atendimento?

Grande parte dos episódios agudos de dor lombar melhora com o tempo, porém, alguns sintomas exigem atendimento urgente.

Perda ou dificuldade recente de controlar a urina ou o intestino, dormência na região genital ou nos glúteos, fraqueza nas pernas, incapacidade de caminhar, febre, calafrios e dor após um trauma importante estão entre os sinais de alerta apontados pela University Hospitals Sussex NHS Foundation Trust (UHSussex), organização de saúde pública britânica vinculada ao National Health Service (NHS).

Dores persistentes, progressivas ou que limitam as atividades também devem ser avaliadas. “A dor é um sinal de que algo não está indo muito bem. Dores prolongadas e que limitam a função precisam receber atenção”, ressalta o fisioterapeuta.

O fisioterapeuta Jônatas Carolino alerta para a procura de atendimento médico

A OMS informa que medicamentos podem aliviar os sintomas, entretanto, não devem ser a única estratégia de cuidado. A abordagem pode envolver educação, exercícios, fisioterapia, mudanças no estilo de vida e, quando indicado por um profissional, tratamento medicamentoso.

“Cada corpo vai ter uma necessidade específica, e tudo isso a gente vai saber a partir de uma avaliação”, finaliza Jônatas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Andressa Sarkis.