O empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, juntamente com os três ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, teriam enganado os investidores ao apresentar uma suposta venda da empresa como solução para a crise financeira. Segundo denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) encaminhada à Justiça do DF, a falsa venda fez parte de uma “segunda etapa” da fraude orquestrada pelos quatro denunciados.
Após o Metrópoles anunciar o sumiço dos donos da fintech, em maio deste ano, os sócios da Naskar se pronunciaram afirmando que a Azara Capital compraria a fintech por R$ 1,2 bilhão, apresentando a transação como solução para a crise. No entanto, nunca houve comprovação de que o fundo possuísse os recursos necessários para realizar a operação, o que, segundo o MPDFT, “reforça o indício de que as informações foram utilizadas para induzir ou manter os investidores em erro”.
“O ardil foi rapidamente descoberto, uma vez que o capital bilionário anunciado não correspondia a patrimônio efetivamente existente. Na época, a renda declarada pelo denunciado [Douglas] era de aproximadamente R$ 1,7 mil mensais, enquanto as dezenas de empresas recém-constituídas — entre elas, postos de combustíveis, fazendas e um denominado “Banco Phoenix” — apresentavam, em conjunto, capital social declarado de R$ 2,4 bilhões”, destacou o promotor.
Até então, a investigação havia apontado como principais envolvidos apenas os três ex-sócios. No entanto, a acusação sustentada pelo promotor Paulo Roberto Binicheski diz que Douglas Azara “praticou vários atos que depois se revelariam como previamente armados para conferir credibilidade à sua inserção formal no esquema fraudulento”, logo após aquisição da Naskar pelo empresário.
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Dentre os elementos apresentados, o MPDFT questiona a existência da Azara Capital LLC, apresentada aos investidores como um fundo norte-americano que compraria a Naskar e garantiria os pagamentos. Na fase de divulgação da compra, foi apresentado, inclusive, o endereço da sede da empresa em Miami, que correspondia a uma localização comercial compartilhada por diversas pessoas jurídicas.
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“Esse elemento demonstra a artificialidade da entidade estrangeira, desprovida de comprovação idônea quanto à sua efetiva constituição, representação, identificação dos beneficiários finais, patrimônio, capacidade financeira e disponibilidade dos recursos anunciados. O grandioso anúncio do suposto fundo norte-americano constituiu ardil destinado a preservar a aparência de solvência da operação, retardar a adoção de medidas de proteção patrimonial e prolongar o estado de erro dos investidores”, disse em denúncia.
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Maurício Jahu, sócio da Naskar. O mais famoso do trio, Jahu foi apresentador da ESPN
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Marcelo Arantes, sócio da Naskar
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Rogério Vieira, sócio da Naskar
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Douglas Azara, falso comprador da fintech
Material cedido ao Metrópoles
O promotor reforça que tais atuações “não se apresentavam como episódicas, autônomas ou dissociadas da estrutura central”. Além disso, os elementos reunidos indicam uma “integração funcional entre esses participantes e o núcleo diretivo”, com divisão de tarefas voltada à captação, circulação, retenção e administração dos recursos provenientes dos investidores.
“Nesse contexto, a divulgação da suposta aquisição apresenta-se como ardil sobreposto, premeditado e coordenado, destinado não à efetiva capitalização da Naskar, mas à indução em erro de investidores já lesados, à preservação da aparência de continuidade da operação e ao retardamento da adoção de medidas de proteção patrimonial“, concluiu o promotor.
Ciência do colapso financeiro
A denúncia encaminhada também aponta que Rogério tinha conhecimento da “deterioração econômico-financeira da empresa” antes da suspensão pública dos pagamentos. Isso porque no dia 30 de abril de 2026, o ex-sócio recebeu áudio de terceiro que expressava preocupação com as operações da Naskar.
Na mensagem, o cliente da empresa “alertava para a necessidade de reforço das garantias, a impossibilidade de realização de novos saques, o risco de bloqueio das contas e o comprometimento da capacidade operacional da empresa”. No entanto, Rogério o ignorou.
Também foi denunciado uma minuta com respostas para questionamentos da imprensa sobre a crise, semelhante ao comunicado posteriormente enviado aos investidores.
“Nesse contexto, a alegação de indisponibilidade ou inconsistência dos dados demonstra-se insustentável, uma vez que a preservação de planilhas e registros financeiros nos dispositivos examinados evidencia que os investigados conheciam a real situação da empresa quando prestaram declarações públicas”, declarou o promotor.
O MP aponta ainda que conversas sobre a Naskar foram apagadas dos aparelhos de Rogério antes do colapso, o que seria um indício de tentativa de dificultar a coleta de provas.
Trio solto e dono foragido
Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato foram soltos pela Justiça do DF no início deste mês. Apesar de a 4ª Vara Criminal de Brasília conceder liberdade, o deferimento do pedido foi aceito mediante a imposição de medidas cautelares. Dentre as restrições está a proibição da atuação do trio no mercado financeiro e apreensão do passaporte.
Na decisão que determinou a soltura, o juiz Aimar Neres de Matos considerou, entre outros pontos, que a investigação foi formalmente encerrada em 28 de agosto. Além disso, ressaltou que a eventual realização de análises periciais sobre materiais já apreendidos não seria suficiente para manter os investigados presos.
O magistrado também avaliou que não havia notícia de tentativa de interferência na investigação, constrangimento de testemunhas ou risco concreto de fuga, o que levou ao indeferimento a imposição por tornozeleira eletrônica.
Já Douglas completou dois meses foragido da Justiça brasileira por supostamente desviar R$ 60 milhões da fintech Zema Financeira, empresa da família do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo).
Mesmo com mandado de prisão em aberto, Douglas Azara segue ostentando nas redes sociais e passeando por cidades como Madri, na Espanha, e Dubai, nos Emirados Árabes.
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Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha
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Douglas apareceu viajando de primeira classe para Madri, na Espanha
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Douglas compartilhou três carrões usados por ele, em Dubai
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Douglas Azara, famoso após aparecer como comprador da Naskar, surge como mentor de fraude contra Grupo Zema
Arte de Lara Abreu/Metrópoles sobre foto de redes sociais5 de 8
Douglas Silva de Oliveira, 26 anos
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Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações
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O empresário postou fotos em viagem a Dubai
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Douglas ostenta carros de luxo nas redes sociais
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Entenda o caso
- A Naskar Gestão de Ativos chegou a ter sede no DF e, atualmente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Apresenta-se como fintech (empresa de serviços financeiros que oferece facilidades aos clientes em comparação com bancos tradicionais);
- A empresa atuava captando recursos de clientes com retorno de 2% ao mês, valor bem acima do operado pelo mercado; por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa cuidaria do patrimônio investido pelo cidadão;
- A financeira atuou por 13 anos sem problemas. Até que, em maio, o pagamento mensal de rendimentos não foi realizado;
- Os clientes buscaram entender o que estava acontecendo e não obtiveram resposta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Felipe Machado.




