Especialistas da área de gestão de resíduos sólidos e reutilização de materiais – a popular reciclagem – são taxativos em destacar que um grande desafio no Brasil no que diz respeito ao tema é a participação e a educação popular ambiental.
Fazer a separação dos materiais e buscar postos de coleta e triagem, entre outras medidas, são apontadas como alternativas no dia a dia para ampliar a quantidade de resíduos reciclados no país.
No caso da Noruega, por exemplo, o sistema de logística reversa com máquinas alcançou mais de 95% de garrafas plásticas recicladas – nível que o Brasil só alcança com as latas de alumínio a partir de uma grande estrutura de logística em todo o país.
Na Alemanha, o sistema “Pfandautomat” funciona há 30 anos incentivando a reciclagem com um sistema de caução em que o consumidor paga um valor extra pela garrafa e o resgata quando a devolve, obrigando que os produtores mantenham um nível de 70% de reuso das embalagens.
Já no Brasil, medidas semelhantes ainda andam timidamente. O programa Retorna Machines da Ambipar, por exemplo, conta com equipamentos automáticos de coleta que recebem embalagens de plástico, vidro e alumínio em troca de Pix direto na conta, descontos no transporte público e aplicativos de mobilidade ou mesmo contas de energia, dependendo da região.
Com 800 equipamentos instalados em 134 cidades de 19 unidades federativas, o sistema tem cerca de 500 mil usuários ativos, dos quais 70% utilizam as máquinas duas ou mais vezes por mês e levam de cinco a seis embalagens por depósito.
Em 2025, o programa recebeu cerca de 50 milhões de embalagens, das quais 60% eram de plástico e alumínio.
Em comparação, o país produziu aproximadamente 13 milhões de toneladas de embalagens em geral no ano de 2024, sendo que um milhão de toneladas foi enviada à reciclagem (31% de papel, 31% de vidro, 20% de plástico, 17% de metal e 1% de outros
materiais).
Para Felipe Nassar Cury, head de Pós-consumo da Ambipar, a estratégia de incluir o cidadão no processo tem se mostrado um ganho no caso do programa Retorna Machines.
“O maior valor do programa é conectar pessoas ao impacto positivo que podem gerar no dia a dia. Cada embalagem retornada simboliza menos pressão sobre recursos naturais e mais oportunidades para a cadeia da reciclagem. As Retorna Machines têm registrado um nível crescente de engajamento da população brasileira, com adesão acima do previsto em grande parte das cidades onde o programa foi implantado”, afirma.
Todo o material recolhido nas máquinas são rastreáveis digitalmente e passam por unidades especializadas e em centrais operadas ou apoiadas por cooperativas, antes de retornarem às indústrias.
“Esse ciclo, que conecta tecnologia, logística reversa e inclusão socioprodutiva, reduz a pressão sobre recursos naturais, diminui emissões associadas à extração de matérias-primas e melhora os índices municipais de recuperação de resíduos”, completa Cury.




