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El Niño provoca chuvas intensas em São Paulo e alerta para novos temporais

Temporais já provocaram mortes, desaparecimento e alagamentos em São Paulo, enquanto especialistas alertam para novos episódios de chuva forte.

Samoel Andrade Por Samoel Andrade

A sequência de temporais que atingiu o estado nesta segunda-feira (14) reforça a preocupação com os efeitos do fenômeno climático. O El Niño provoca chuvas intensas em São Paulo e, segundo especialistas, o cenário de instabilidade pode continuar nos próximos meses, com possibilidade de novos episódios extremos.

A capital paulista registrou um marco histórico de precipitação em setembro. Até esta segunda-feira, foram contabilizados 253,8 milímetros de chuva, volume que colocou o mês entre os mais chuvosos registrados na cidade em mais de oito décadas.

Os temporais também provocaram transtornos e estragos em diferentes regiões do estado. Desde o último fim de semana, duas pessoas morreram e uma permanece desaparecida em decorrência das condições meteorológicas.

No Vale do Ribeira, a cidade de Eldorado ficou completamente alagada, evidenciando a dimensão dos impactos provocados pelo excesso de chuva.

Chuvas devem continuar nos próximos meses

Apesar de São Paulo estar entre as áreas mais afetadas neste momento, os efeitos da atual configuração climática não devem ficar restritos ao Sudeste.

Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus Meteorologia, áreas do Sul e do Centro-Oeste também devem enfrentar períodos de maior instabilidade durante os próximos meses.

O comportamento do fenômeno costuma favorecer volumes de chuva acima da média na Região Sul. Porém, em determinadas situações, essa faixa de influência pode avançar em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste.

Neste mês de setembro, as áreas mais atingidas ficaram principalmente entre o Paraná e São Paulo. A tendência, de acordo com a avaliação meteorológica apresentada, é que esse padrão de instabilidade continue nas próximas semanas.

Temporais aumentam risco de alagamentos e deslizamentos

A repetição de episódios de chuva forte traz uma preocupação adicional: a saturação do solo.

Quando ocorrem vários eventos de precipitação intensa em sequência, o terreno pode perder capacidade de absorver novas quantidades de água. Isso aumenta a possibilidade de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, principalmente em áreas urbanas ou regiões que já apresentam histórico de risco.

Outro fenômeno que pode ganhar força é a ocorrência de vendavais associados à chegada de frentes frias.

De acordo com Alexandre Nascimento, episódios de ventos fortes devem continuar sendo observados tanto no Sul quanto no Sudeste durante os próximos meses.

Ao mesmo tempo, a situação climática não será igual em todas as regiões brasileiras.

Enquanto partes do Sul e do Sudeste podem enfrentar períodos de chuva intensa, temperaturas extremamente elevadas são esperadas principalmente em áreas mais ao norte do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Temperatura dos oceanos chama atenção

O cenário também está relacionado ao comportamento das temperaturas dos oceanos.

Em agosto, a temperatura média diária global da superfície do mar chegou a aproximadamente 21,1°C, atingindo um novo patamar histórico e superando o recorde anterior de 21,09°C registrado em março de 2024.

O aquecimento dos oceanos é um dos elementos importantes para compreender a atual dinâmica climática global.

De acordo com informações atribuídas ao Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e ao Copernicus, o aquecimento relacionado ao El Niño contribui para mudanças nos padrões atmosféricos e na distribuição das chuvas.

Esse processo pode produzir efeitos que ultrapassam as fronteiras dos países e atingir ecossistemas, áreas costeiras e comunidades expostas a eventos meteorológicos extremos.

Regiões próximas ao mar também ficam mais vulneráveis

O aquecimento dos oceanos pode contribuir para o aumento da vulnerabilidade de regiões costeiras.

No Brasil, áreas próximas ao litoral podem registrar episódios de ressacas marítimas, ventos fortes e condições adversas, especialmente durante a passagem de sistemas meteorológicos mais intensos.

Para os próximos meses, a avaliação apresentada pelo meteorologista indica possibilidade de continuidade e intensificação de episódios extremos em determinadas regiões.

O comportamento do fenômeno será acompanhado principalmente pelas condições de temperatura das águas do Pacífico Equatorial Central.

El Niño pode atingir níveis históricos

A expectativa é de que o fenômeno continue ganhando força durante os próximos meses.

Segundo a avaliação meteorológica apresentada, o El Niño já é considerado muito forte e pode alcançar níveis históricos, dependendo da evolução das temperaturas do Pacífico Equatorial Central.

Esse cenário aumenta a necessidade de atenção das autoridades e da população, especialmente em municípios que possuem áreas vulneráveis a enchentes, deslizamentos e outros eventos associados às chuvas intensas.

O período de maior intensidade do fenômeno pode representar uma fase de maior instabilidade climática, com impactos diferentes conforme a região brasileira.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, especialmente na região equatorial.

Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica, interfere nos ventos e altera a distribuição da umidade e das chuvas em diferentes partes do planeta.

No Brasil, seus efeitos não são iguais em todo o território.

Em determinadas regiões, o fenômeno pode favorecer chuvas acima da média. Em outras, pode contribuir para períodos de estiagem, temperaturas elevadas e redução da disponibilidade de água.

Como o fenômeno altera o clima?

Em condições consideradas normais, os ventos predominantes no Pacífico sopram de leste para oeste, transportando águas superficiais mais quentes em direção à região da Oceania e da Indonésia.

Com a ocorrência do El Niño, esse equilíbrio é alterado.

O enfraquecimento dos ventos permite que águas mais quentes se desloquem e se espalhem pelo Pacífico Equatorial. O aumento da temperatura da superfície do oceano modifica a evaporação e a circulação atmosférica.

Essas mudanças interferem na formação de nuvens e na distribuição da umidade, produzindo efeitos climáticos que podem ser sentidos a milhares de quilômetros da região onde o fenômeno se origina.

São Paulo permanece em alerta para novos episódios de chuva

O histórico de precipitação registrado neste setembro reforça a necessidade de monitoramento das condições meteorológicas no estado de São Paulo.

Com o solo já afetado pela sequência de chuvas, novos temporais podem elevar os riscos de alagamentos e deslizamentos, principalmente em áreas de ocupação vulnerável.

Além dos volumes de chuva, a população também deve ficar atenta à possibilidade de raios, ventos fortes e quedas de árvores durante a passagem de tempestades.

O cenário apresentado pelos especialistas indica que a instabilidade não deve desaparecer rapidamente. Ao contrário, os próximos meses podem continuar marcados por contrastes climáticos entre diferentes regiões do país.

Enquanto algumas áreas terão que lidar com o excesso de chuva, outras poderão enfrentar calor extremo e períodos de seca.