Diálogos interceptados pela Polícia Civil, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nessa quinta-feira (17/9), apontam que um dos principais elos do Primeiro Comando da Capital (PCC) com políticos foi usado como “laranja” em tratativas sobre a compra de uma refinaria de biodiesel, avaliada em R$ 40 milhões, e na Usina Campo Limpo.
As informações sobre a negociação milionária listam José Daniel Satilite, o Alemão, como nome central. Em um dos diálogos, que a polícia teve acesso por meio de celulares do investigado, ele aparece como uma espécie de intermediário entre empresários, advogados, políticos e pessoas ligadas a lideranças do PCC.
Reprodução/Polícia Civil2 de 3
José Daniel Satilite, o Alemão
Reprodução/Polícia Civil3 de 3
José Daniel Satilite, o Alemão
Reprodução/Polícia Civil
Documentos obtidos pela reportagem indicam que Alemão era sócio-proprietário da Translider e tinha envolvimento direto nas negociações da Refinaria Fanal.
Em um dos diálogos interceptados pela polícia, o principal elo entre o PCC, políticos e empresários do ramo de transportes é cobrado por um membro da facção criminosa, que está preso, na participação da aquisição da refinaria.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles SP
A conversa entre Alemão e Edivânia Arruda Botelho Alves, uma das mulheres alvo da Operação Vectura Corrupta, é sobre questões relativas à empresa Fanal, encontros com membros do PCC e assuntos envolvendo uma empresa de transporte no município de Leme, interior de São Paulo.
A polícia diz que Edivânia era responsável por entregar mensagens de um integrante do PCC preso a Alemão.
Segundo as investigações, Alemão foi cobrado devido a participação deste integrante do PCC na aquisição da refinaria. Relatórios policiais indicam que Alemão foi considerado como “laranja” na compra da Fanal Derivados de Petróleo. Os valores para a aquisição da empresa de combustíveis estaria, conforme as investigações, estimadas em R$ 40 milhões.
A Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), afirmam que Alemão era peça no esquema voltado ao transporte público.
Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasVer todas as newsletters
Dois advogados alvo de mandados de prisão temporária, Cícero José dos Santos Filho e Milton Mello Milreu, segundo a polícia, foram os responsáveis por participar das tratativas em prol do PCC.
As investigações reforçaram que Milreu “se vale das prerrogativas conferidas à advocacia em benefício da organização criminosa, uma vez que utilizou seu escritório como ‘sede’ de reunião para os faccionados, bem como a conta bancária do escritório para recebimento de valores das empresas investigadas”, diz documento sobre a acusação.
A polícia descreve o defensor Cícero como um dos integrantes do PCC e pertencente à “Sintonia dos Gravatas”, um núcleo da facção criminosa paulista voltada exclusivamente a advogados, e “interlocutor direto” de Alemão.
Um terceiro advogado alvo da operação é, segundo as investigações, o advogado pessoal de Alemão, além de dono de empresas de transporte. Ele é investigado por atuar com faccionados no setor e em procedimentos licitatórios.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Marcus Pontes.




