Geral

Em 1 mês de campanha, Lula encarou crises e viajou menos do que Flávio

Por Alice Groth
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à marca de um mês desde o início oficial da campanha eleitoral com uma série de percalços pelo caminho que impactou seu desempenho nas pesquisas perante o principal adversário, o senador e candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL).

Nos últimos 31 dias, o petista teve de lidar com crises que envolveram seu filho, o empresário Fábio Luis Lula da Silva (PT), Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que aparecem em investigações sobre suposto tráfico de influência. Além disso, o conflito entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do Caso Master arrastou o governo para a crise, trazendo ruídos para a campanha de reeleição.

A corrida começou oficialmente em 16 de agosto. À época, o petista já enfrentava desgastes por conta de investigações da Polícia Federal (PF) sobre a atuação do filho junto à lobista Roberta Luchsinger para obter contratos com o governo federal. Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo STF.

Os investigadores indicam que a lobista, apontada como amiga de Lulinha, teria comprado joias, oferecido presentes e pago despesas de Marcola, um dos auxiliares mais próximos do presidente, para ampliar acesso e preservar sua influência no núcleo do governo Lula. Após as revelações, o ex-chefe de gabinete deixou a campanha de Lula. Durante sabatina no Jornal Nacional, o presidente reconheceu que o caso trouxe prejuízos à imagem do governo.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

“Leva suspeita e leva desconfiança para mim, porque o Marcola era meu chefe de gabinete. […] Porque ele [Marcola] não falou comigo? Eu disse, eu sou quase que nem seu pai, porque você não falou comigo do problema que você estava tendo? Agora, é o seguinte: ele cometeu o erro e pagará pelo erro que cometeu”, disse.

5 imagens1 de 5

Crise no STF reforça imprevisibilidade no resultado da disputa ao Planalto

Arte Metrópoles2 de 5Marcelo Camargo/Agência Brasil – BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BRENOESAKIFOTO3 de 5BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 5Carla Sena/Arte Metrópoles5 de 5

O presidente Lula, candidato à reeleição

Sam Pancher/Metrópoles

Baixada a poeira sobre as suspeitas envolvendo Lulinha e Marcola, a campanha entrou em um momento ainda mais crítico após uma decisão do ministro André Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, colocando o governo no centro da crise na Suprema Corte.

Posteriormente, a ordem foi derrubada por decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Porém, a medida obrigou o presidente a agir diante de uma estratégia inicial de se manter afastado das tensões. O petista passou a defender, publicamente e nos bastidores, a abertura total dos sigilos das investigações sobre o Banco Master.

O cálculo de aliados é que o vazamento seletivo de determinadas informações impactaram negativamente a campanha de reeleição. Além disso, há um temor de que o presidente seja associado à crise envolvendo ministros da Suprema Corte, sobretudo Alexandre de Moraes, que é visto como alinhado ao governo.

O magistrado é um dos protagonistas do conflito na Corte após a divulgação da troca de mensagens entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A oposição tem apostado na estratégia de ligar Moraes a Lula. O presidente, por sua vez, tem defendido que todos os envolvidos no caso sejam investigados e, se forem culpados, sejam punidos.

Impacto nas pesquisas

  • A sequência de desgastes na primeira fase da campanha trouxe reflexos nas pesquisas de intenção de voto.
  • A cerca de três semanas para o primeiro turno, o petista viu Flávio Bolsonaro reduzir a distância e até ultrapassá-lo numericamente em simulações de segundo turno.
  • De acordo com pesquisa Quaest, divulgada nessa segunda-feira (14/9), Flávio pontuou 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra 40% do candidato à reeleição.
  • O presidente recuou três pontos percentuais em comparação ao levantamento de 14 de agosto, na véspera do início da campanha, enquanto o senador oscilou dois pontos positivamente.
  • Em julho, a distância entre os candidatos chegou a oito pontos percentuais.
  • No primeiro turno, Lula mantém a liderança com 36% contra 31% de Flávio.
  • No entanto, a vantagem do chefe do Planalto tem reduzido ao longo das sondagens, caindo de oito pontos na pesquisa divulgada em 2 de setembro para cinco pontos, na mais recente.

Flávio viajou mais e concentrou atos no Sudeste

Nesse período, Lula também intensificou viagens pelo país, mas ficou atrás do principal adversário em número de compromissos. O chefe do Planalto se divide entre conciliar agendas de campanha com atividades de governo. O Metrópoles levantou que, nos primeiros 31 dias de campanha, Flávio Bolsonaro percorreu mais cidades e estados do que o petista.

Considerando atos de campanha e participações em eventos registrados nas agendas dos candidatos desde 16 de agosto, Flávio fez 17 deslocamentos, contra 11 viagens de Lula. A reportagem não considerou viagens realizadas exclusivamente para entrevistas ou outros compromissos sem caráter de campanha.

A diferença também aparece na distribuição regional das agendas. Flávio concentrou parte significativa dos compromissos no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foram quatro passagens pelo estado paulista e seis pelo Rio. No caso fluminense, apenas uma das seis agendas ocorreu na capital. As demais foram realizadas em Angra dos Reis, Cabo Frio, Macaé, Campos dos Goytacazes e Itaperuna.

Lula, por sua vez, esteve duas vezes em São Paulo, duas em Minas Gerais e uma no Rio de Janeiro. Os três estados são os maiores colégios eleitorais do país. São Paulo reúne 34,1 milhões de eleitores, o equivalente a 21,48% do eleitorado nacional; Minas Gerais tem 16,4 milhões (10,32%); e o Rio de Janeiro, 12,9 milhões (8,10%), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Minas também é tradicionalmente associado à máxima de que quem vence no estado ganha a eleição presidencial.

A principal diferença regional está no Nordeste. Lula esteve quatro vezes na região desde o início oficial da campanha: Natal (RN), Salvador (BA), Juazeiro do Norte (CE) e Teresina (PI). Flávio fez duas agendas em Alagoas, em Maceió e Arapiraca. Apesar de ter realizado mais viagens no total, o senador ainda não passou pelos outros oito estados nordestinos.

No Norte, o cenário se inverte. Lula ainda não realizou agenda presencial na região, enquanto Flávio esteve em Boa Vista (RR), em 10 de setembro, e em Belém (PA), no último domingo (14/9).

No conjunto, Flávio fez 17 registros de viagem, mas parte significativa da agenda está concentrada em poucos estados: Rio de Janeiro e São Paulo respondem por 10 dos deslocamentos. Lula fez 11 viagens, distribuídas por nove estados.

Próximos atos de campanha de Lula

Nesta quarta-feira (16/9), o presidente participa de um ato de campanha em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal. O evento será realizado na Praça do Trabalhador e contará com a presença do candidato ao governo do DF, Leandro Grass (PT), e das candidatas ao Senado Erika Kokay (PT) e Leila Barros (PDT).

Na quinta-feira (17/9), Lula desembarca novamente em Minas Gerais. A agenda de campanha será realizada em Montes Claros, no norte do estado.

No dia seguinte, sexta-feira (18/9), o presidente estará em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

Já no sábado (19/9), será a vez de Florianópolis (SC) receber um ato de campanha de Lula pela primeira vez nesta eleição. A agenda buscará impulsionar a candidatura de Gelson Merísio (PSB) ao governo do estado. O presidente também estará acompanhado dos candidatos ao Senado da chapa governista, Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSol).


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alice Groth.