
Em um áudio gravado, o Padre Robson de Oliveira Pereira admitiu que desvios e documentos alterados são ilegais e que se cair nas mãos de “um delegado meio doido” que faria “perguntas demais” poderia ser preso. Segundo o religioso, as questões seriam “crime organizado”, e que ele seria o “chefe da quadrilha”.
O religioso então conclui: “Eu estou dando legitimidade para uma coisa ilegítima, porque eu considero que foi estelionato aquilo lá. Os caras lá já falavam: Olha, você vai passar, por fora, para mim, tanto. Eu, de bobão… complicado isso aqui. Não está bom, não. Isso aqui é a mesma coisa de estar assinando um mandado de prisão”.
Chefe da quadrilha
Em dado momento, o padre desconfia que irá ser alvo de operação policial que o levaria a prisão. Ele afirma que seu maior medo é a “apuração dos fatos”. “Quando for apurar fatos, olhando nossa contabilidade, olhando nossa contabilidade do Júnior, do Gleison, vão ver que eles deram outra destinação aos valores, que não bate com datas e nem com nenhum tipo de… não tem jeito, gente”, disse. O religioso ainda afirmou que não poderia ter as provas em seu computador pessoal e que trocaria a placa do aparelho em breve.
Mais adiante na conversa, padre Robson afirma que, se as provas chegassem a um “delegado meio doido” poderia fazer uma “pergunta pesada” que levaria a descoberta do crime organizado. Então o advogado Klaus Marques confirma: “É crime organizado”, e continua “e o senhor é o chefe”. O religioso, então confirma: “E eu sou o chefe da quadrilha”.
Entenda o caso
O Padre Robson é acusado por supostamente ter desviado mais de R$ 100 milhões de doações de fiéis. O dinheiro era para ter sido usado na construção da nova Basílica de Trindade, mas o religioso teria comprado fazenda, casa de praia e um avião de pequeno porte. As investigações começaram em 2019 e são conduzidas pelo Ministério Público de Goiás.
Os supostos desvios foram descobertos durante a Operação Vendilhões, que apurou uma denúncia do religioso, que estava sendo vítima de extorsão após hackers terem descoberto relacionamento amoroso dele. Ao todo, Padre Robson teria desembolsado R$ 2,9 milhões para os chantagistas, dinheiro que, segundo o MPGO, saiu dos cofres da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), com sede em Trindade (GO).



