Um escândalo de corrupção familiar veio à tona no governo da Argentina nesses últimos dias. Em meio à disputa das eleições no país, o presidente, Javier Milei, passa por uma fase turbulenta envolvendo sua irmã, Karina Milei. Ela é acusada de receber propinas de 3% em contratos de medicamentos destinados a pessoas com deficiência, conforme áudios vazados de Diego Spagnuolo, ex-chefe da agência responsável e seu ex-advogado.
A denúncia, compartilhada na semana passada, levou ao afastamento de Spagnuolo, investigações conduzidas por um juiz federal, buscas em propriedades e detenção de valores em espécie. A situação tem sido considerada o momento de crise mais pesado da administração até agora.
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Nesta segunda-feira (1º/9), o governo da Argentina apresentou uma queixa criminal, como anunciou o porta-voz da presidência, Manuel Adorni. A alegação é de que a denúncia pretende “desestabilizar o país em plena campanha eleitoral”.
Além disso, em meio ao clima tenso, em um comício em Buenos Aires na última quarta-feira (27/8), Milei foi alvo de objetos arremessados, como pedras, contra seu carro e precisou ser evacuado, em circunstâncias que intensificaram a polarização política. Houve confrontos entre apoiadores e opositores, e o presidente culpou setores kirchneristas pela agressão.
A turbulência política gerou instabilidade também nos mercados. O Banco Central elevou o compulsório bancário em 3,5 pontos percentuais, terceira alta em semanas, e o índice de risco-país atingiu níveis semelhantes aos de abril; enquanto a bolsa sofreu desvalorização.
Outro escândalo envolve a revelação de que a agência de inteligência SIDE, restaurada por Milei, teria espionado opositores, líderes sindicais e grupos civis. A informação veio de uma reportagem do portal britânico The Times. A ideia, segundo a apuração, seria restaurar temores de práticas autoritárias semelhantes às da era da ditadura.
Organizações como “Repórteres Sem Fronteiras” apontam que o governo de Milei desmantelou meios públicos, atacou jornalistas e cultivou hostilidade contra a imprensa, levando à queda dramática da Argentina no ranking global de liberdade de imprensa.
Remontando ao início do ano, em fevereiro de 2025, Milei promoveu a criptomoeda $LIBRA, que teve valorização seguida de colapso abrupto, causando prejuízos massivos a investidores. Classificada como “Cryptogate”, a polêmica gerou pedidos de impeachment e investigações judiciais. Milei se defendeu, dizendo que agiu de boa fé, e minimizou o episódio.
Portanto, Javier Milei, que chegou ao poder prometendo limpar a política argentina com discursos antissistema e liberalizantes, enfrenta agora uma série de crises: escândalos por corrupção, desconfiança institucional, confrontos com a imprensa e manifestações populares. As controvérsias testam seu apoio político justamente quando se aproxima o pleito legislativo de outubro de 2025; um momento decisivo para sua governabilidade.




