Atualmente, há 82 espécies não nativas de moluscos encontradas no Brasil. O número, que anteriormente era de 26 exemplares, aumentou em 215% em 15 anos. As informações vêm do primeiro inventário nacional sobre os organismos produzido por pesquisadores locais. Do total, 20 tipos são considerados invasores, podendo causar danos socioeconômicos, à biodiversidade e à saúde.
Além das 82 espécies, ainda foram detectadas mais 13 de origem não determinada devido à falta de dados consistentes ou à existência de informações muito antigas – elas são chamadas de criptogênicas. “A maioria nós apenas detectamos, não temos muita informação”, afirma um dos autores do estudo, Marcel Sabino Miranda, em entrevista à Agência Fapesp.
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do Metrópoles
“Observamos uma taxa acelerada de introdução de moluscos não nativos no Brasil e lacunas persistentes no conhecimento taxonômico e ecológico dessas espécies”, analisa Miranda.
Entre as espécies não nativas catalogadas, estão o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e o caramujo-africano (Lissachatina fulica). O primeiro, apesar dos esforços financeiros para controlá-lo, pode causar entupimento e a perda de eficiência de usinas hidrelétricas nos locais onde está espalhado. Já o caramujo pode ser uma praga agrícola, além de servir como hospedeiro do parasita causador da meningite, uma doença grave.
De acordo com os cientistas, o aumento no número de espécies não nativas no Brasil necessita da adoção de medidas para monitorá-las e detectá-las o mais rápido possível, visando a manutenção da biossegurança brasileira.
“O ideal é que fossem realizados grandes estudos e políticas para avaliar os possíveis impactos e planos para conter ou erradicar as espécies que causam prejuízos. Um estudo como esse, porém, é um primeiro passo importante nessa direção”, avalia Miranda.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jorge Agle.




