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Espriella propõe Plano Marshall para reconstruir região na Colômbia

Por Manuela de Moura
Reprodução/Redes Sociais

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou nesta sexta-feira (14/8) que pretende criar um plano de reconstrução de Chocó, departamento no oeste do país atingido pelo terremoto que deixou centenas de mortos. A proposta foi comparada pelo presidente ao Plano Marshall, programa dos Estados Unidos criado para financiar a reconstrução da Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial.

“Quero propor um plano especial, um Plano Marshall para Chocó”, afirmou.

Segundo ele, a região foi historicamente negligenciada pelo governo central e precisa receber atenção especial durante a reconstrução. “Chocó foi abandonado à própria sorte pelo centralismo do poder em Bogotá, como se não existisse, e quero dar a este departamento de pessoas extraordinárias o lugar que merece na ‘pátria milagrosa’”, declarou.

O presidente voltou a Chocó quatro dias depois de sua primeira visita à região, para acompanhar os danos provocados pelo terremoto. Nesta sexta, ele percorreu bairros e centros educacionais afetados pelo tremor.

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do Metrópoles

O terremoto ocorreu às 7h34, no horário local, na segunda-feira (10/8), com epicentro próximo a San José del Palmar, em Chocó. O Serviço Geológico Colombiano classificou o abalo como de magnitude 7,4, considerado o mais forte sentido no país na última década.

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Gabriel Aponte/Getty Images

Plano Marshall

O Plano Marshall foi um programa de ajuda econômica lançado pelos Estados Unidos em 1948 para financiar a reconstrução de países da Europa Ocidental devastados pela Segunda Guerra Mundial.

O projeto, oficialmente chamado European Recovery Program, destinou bilhões de dólares em recursos para recuperar infraestrutura, estimular a produção e reorganizar as economias dos países aliados.

A iniciativa também tinha um objetivo estratégico: fortalecer os países europeus diante do avanço da influência soviética e ampliar a estabilidade política e econômica no continente.

Buscas entram no quinto dia

  • As operações de busca e resgate chegaram ao quinto dia nesta sexta-feira, enquanto as equipes ainda procuram pessoas desaparecidas entre os escombros.
  • Mais de 72 horas após o terremoto, as chances de encontrar sobreviventes diminuem, mas as autoridades afirmam que as operações continuarão.
  • Segundo o balanço mais recente da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), divulgado na noite de quinta-feira (13/8), o terremoto deixou 284 mortos, 3.977 feridos e 379 desaparecidos.
  • Ao todo, 45.523 famílias e 102.263 pessoas foram afetadas.
  • As equipes de emergência conseguiram resgatar 354 pessoas.

Reconstrução em região isolada

A escolha de Chocó como foco do plano anunciado por De la Espriella ocorre em um departamento que já enfrentava problemas estruturais antes do terremoto. A região é marcada por dificuldades históricas de acesso, infraestrutura precária e baixa presença do Estado.

Em algumas comunidades, a falta de estradas adequadas faz com que moradores dependam de deslocamentos por vias marítimas. O cenário pode dificultar a chegada de equipes de emergência, o transporte de equipamentos e a distribuição de ajuda humanitária após o desastre.

Chocó também é uma área marcada pela atuação de grupos armados, entre eles o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Clã do Golfo. As disputas entre essas organizações representam um obstáculo adicional para a circulação de equipes e o atendimento às comunidades atingidas.

A proposta para Chocó se conecta a uma das principais bandeiras do colombiano: a descentralização do governo colombiano.

“Todos esses territórios que foram esquecidos e agora estão devastados pela natureza, temos que reconstruí-los; há muito trabalho pela frente”, afirmou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.