14 Abr de 2020 do YacoNews
Cientistas brasileiros interromperam precocemente parte de um estudo sobre o medicamento antimalárico cloroquina, apregoado como possível candidato a tratamento contra infecções pelo coronavírus Sars-Cov-2 tanto pelo presidente americano, Donald Trump, quanto por seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro.
A pesquisa foi cancelada depois que 11 pacientes com o coronavírus que receberam uma dose elevada de cloroquina, morreram até o sexto dia de tratamento, segundo o jornal The New York Times.
Parte dos 81 pacientes com covid-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus, que estavam sendo testados havia apresentado batimentos cardíacos irregulares, o que aumentou o risco de desenvolverem uma arritmia cardíaca fatal. Após a morte de 11 deles, a parte do estudo envolvendo altas dosagens foi cancelada antecipadamente.
Financiado, entre outros, pelo governo do estado do Amazonas, o estudo envolveu pacientes internados em Manaus e foi realizado pela Equipe CloroCovid-19, formada por cerca de 26 cientistas de diversos órgãos. A pesquisa foi postada no último sábado na medRxiv, uma plataforma de artigos médicos, para depois ser encaminhada para revisão por outros pesquisadores.
Cerca de metade das pessoas a quem a cloroquina estava sendo administrada receberam uma dose de 450 mg, duas vezes ao dia, por cinco dias. O restante dos pacientes deveria receber uma dose mais elevada do medicamento, 600 mg, por dez dias. Em três dias, os pesquisadores começaram a notar arritmia cardíaca em um quarto dos pacientes que receberam a dose mais alta.
Em e-mail enviado ao The New York Times no último domingo, um dos autores do estudo, Marcus Lacerda, disse que a pesquisa brasileira mostrou que uma dosagem alta que estava sendo usada na China “é muito tóxica e mata mais pacientes”. Em fevereiro, a Comissão de Saúde da província de Guangdong, na China, havia recomendado inicialmente uma dosagem de 500 mg, duas vezes ao dia, por dez dias.
Os autores disseram ainda que mais estudos sobre o uso da cloroquina em estágios iniciais da covid-19 são “urgentemente necessários”, e recomendaram que uma alta dose não seja administrada em pacientes graves da doença.
Segundo o The New York Times, infectologistas e especialistas em segurança de medicamentos dizem que a pesquisa brasileira apresenta mais provas de que tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina podem causar danos severos a alguns pacientes, especialmente aumentando o risco de uma arritmia cardíaca fatal.
Os pacientes envolvidos no estudo também receberam o antibiótico azitromicina, que apresenta o mesmo risco de arritmia. Hospitais nos EUA estão usando azitromicina para tratar pacientes de coronavírus – em muitos casos, combinando o medicamento com a hidroxicloroquina.


