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EUA propõem nova sobretaxa ao Brasil e citam falha no combate ao trabalho forçado

Camila Souza Por

Os Estados Unidos propuseram uma nova sobretaxa ao Brasil por supostas falhas no combate ao trabalho forçado, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (2) pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR). A medida faz parte de uma investigação que analisou as políticas de 60 países e poderá resultar em tarifas adicionais de até 12,5% sobre produtos importados.

De acordo com o documento, o Brasil está entre as nações que, na avaliação do governo norte-americano, não possuem mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em seus mercados internos.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a mesma utilizada em outro processo que já havia recomendado a aplicação de tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Segundo o relatório, a ausência de medidas mais rígidas criaria uma concorrência considerada desleal para empresas e trabalhadores americanos. Por esse motivo, o USTR propôs uma tarifa adicional de 12,5% para países classificados como insuficientes no combate a essa prática.

O documento reconhece que o Brasil possui mecanismos de combate ao trabalho escravo, incluindo a chamada “Lista Suja”, que identifica empregadores envolvidos em violações trabalhistas. No entanto, os norte-americanos argumentam que o país não possui uma proibição efetiva para impedir a importação de produtos fabricados sob condições de trabalho forçado em outras nações.

Além do Brasil, países como China, Índia, Japão, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita e Coreia do Sul também aparecem na lista dos que poderão ser alvo da tarifa mais elevada.

A proposta ainda não entrou em vigor. O governo dos Estados Unidos abriu um período de consulta pública que seguirá até o dia 6 de julho. Em seguida, serão realizadas audiências para discutir a adoção ou não das medidas sugeridas.

Caso seja implementada, a nova sobretaxa poderá se somar a outras tarifas já discutidas anteriormente entre os dois países, ampliando as tensões comerciais e os impactos sobre setores exportadores brasileiros.

O governo brasileiro ainda poderá apresentar argumentos e manifestações durante a fase de consultas antes da decisão final das autoridades americanas.

Com informações do G1.