Levantamento do Ministério das Relações Exteriores (MRE), incorporado ao Mapa Nacional da Violência de Gênero em parceria com o Senado Federal, mostra que os consulados brasileiros registraram 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra brasileiras no exterior em 2024. Por região, a Europa concentra 730 casos — cerca de 45% do total —, mais que o dobro da segunda colocada, a América do Norte, com 412 casos (25%).
Completam o ranking a América do Sul (356, 22%), a Ásia (56), o Oriente Médio (41), a África (20), a América Central e Caribe (8) e a Oceania (8). As quatro últimas regiões somadas, entretanto, respondem por menos de 8% dos registros.
Completam a lista dos países com maior número de registros Portugal (144), Reino Unido (102), Espanha (79), Irlanda (65) e Bélgica (43). Os cinco países europeus mais bem colocados — Itália, Portugal, Reino Unido, Espanha e Irlanda — concentram 543 casos, quase três quartos dos registros de toda a região.
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do Metrópoles
O cenário muda quando se considera a taxa de casos em relação à população de brasileiras residentes em cada país. Os maiores índices aparecem em países com comunidades brasileiras menores, como Guiné, com um caso para cada 12 brasileiras; Cabo Verde, com três para cada 60; e Albânia, com dois para cada 70 brasileiras.
Salto boliviano
Um dos dados mais expressivos da atualização é o crescimento dos registros de violência doméstica e de gênero contra brasileiras na Bolívia: foram 28 casos em 2023 e 258 em 2024, um aumento de 821%.
Segundo o Mapa, o salto não significa necessariamente que a violência tenha aumentado na mesma proporção. O resultado está relacionado também ao reforço do atendimento consular: depois que o Consulado-Geral em Santa Cruz de la Sierra passou a contar com uma psicóloga especializada, mais brasileiras se sentiram encorajadas a buscar ajuda e formalizar os relatos.
Falta informação
Os dados também revelam uma lacuna geográfica na coleta de informações. Na América Central e no Caribe, 87,5% dos países não têm registros de violência contra brasileiras. Na África, são 67,7%; no Oriente Médio, 58,3%; e na Ásia, 57,9%.
Mesmo na Europa, região que concentra o maior número de casos, 31,4% dos países não apresentam registros. A ausência de notificações, porém, não significa necessariamente que não haja casos de violência.
Os dados refletem apenas os episódios que chegaram ao conhecimento e foram registrados pela rede consular brasileira e, por isso, a subnotificação pode ser influenciada por fatores como barreiras linguísticas, dificuldade de acesso aos serviços e distância dos consulados.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Madu Toledo.




