Para muita gente, o swing ainda é cercado por uma série de tabus e estereótipos. Há quem acredite que a troca de casais seja uma tentativa de salvar um relacionamento em crise ou que a prática sempre termine em ciúmes e separação. Para marcar o Dia do Swing, celebrado nesta segunda (10/8), a coluna Pouca Vergonha decidiu conversar com uma sexóloga que transformou a própria vida ao conhecer o universo liberal e, atualmente, orienta casais que desejam explorar a sexualidade.
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O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
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Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
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O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
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É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
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No sexo, a liberdade permite testar novas posições e descobrir novas formas de prazer
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“A falta de interesse por sexo me fez questionar minha sexualidade. Ao perceber isso, meu marido disse que se eu não gostasse de homem eu deveria me descobrir, que o amor dele não era frágil e que estaríamos juntos sempre”, relata.
Diálogo abriu caminhos
A conversa, então, abriu espaço para que os dois falassem sobre fantasias, dúvidas e possibilidades. De acordo com ela, foi esse diálogo — e não a busca por novidades — que os levou ao universo liberal. “Depois disso, vieram muitas baladas, experiências com casais, pessoas solteiras e festas de swing até eu fundar uma sociedade em que faço eventos gigantescos para a turma adepta”, relembra.
A história de Camila ajuda a explicar um dos principais equívocos sobre o tema. Segundo a especialista, a prática, que consiste na troca de casais, não costuma funcionar como solução para relacionamentos em crise. “Pelo contrário, só dá certo com relação bem resolvida”, ressalta.
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do Metrópoles
Outro mito frequente envolve o papel das mulheres, muitas vezes colocadas como submissas às vontades impostas pelos maridos. “Na realidade é bem o contrário. As mulheres são protagonistas na grande maioria, e a decisão delas é sempre a mais valiosa”, contraria.
Como funcionam os acordos
Se existe um ingrediente indispensável para que esse tipo de relação funcione, segundo a sexóloga, ele não tem relação com sexo, mas com comunicação. Conversas frequentes, lealdade e acordos bem definidos são a base para qualquer casal que queira experimentar o swing. Esses acordos, aliás, não seguem uma fórmula pronta, e algumas das possibilidades são:
- Algumas duplas preferem apenas observar outras pessoas;
- Outros estabelecem limites, como não beijar terceiros;
- Há ainda quem permita experiências separadas, desde que não exista envolvimento afetivo.
No caso de Camila, eles mudam de acordo com o dia: “Nossas regras são variáveis pois nossos hormônios mudam todos os dias”, brinca.
Assim, antes de sair de casa, ela e o marido conversam sobre como cada um está se sentindo. Se ela estiver mais sensível ou de TPM, por exemplo, prefere evitar contato com outras pessoas. A regra que nunca muda é uma só: permanecerem juntos e em consenso durante toda a experiência.
Realmente há interesse?
Para quem sente curiosidade, mas ainda não sabe se conseguiria participar, a sexóloga recomenda um primeiro passo sem qualquer obrigação de fazer sexo. Nesse caso, a sugestão é visitar uma balada liberal apenas para conhecer o ambiente e observar outras pessoas.
“Ver outras pessoas interagindo nas áreas privativas da balada liberal nos faz questionar os próprios limites”, comenta.
Essa descoberta também passa por reconhecer quando a experiência deixa de ser saudável. Embora muitas pessoas acreditem que o maior risco seja o ciúme, ela afirma que qualquer desconforto costuma aparecer rapidamente. “No swing os sentimentos dificilmente são escondidos. O ciúme, a ansiedade e o desconforto ficam claramente evidentes”, enfatiza.
Não faria nada diferente
Antes mesmo de viver essas experiências, porém, Voluptas enfrentou outro tipo de medo: o julgamento. Ela relata que tinha receio de ser reconhecida, perder o emprego, ver amizades acabarem, ter a maternidade questionada e até ser abandonada pelo marido. No fim, parte desses receios se concretizou: ao tornar pública sua atuação, algumas amizades se afastaram.
“Mesmo sabendo que essas amizades seriam perdidas, eu faria tudo novamente como fiz. É libertador ser você mesmo em qualquer lugar, e ter pessoas que me amam independentemente das minhas escolhas”, conta.
O medo de perder o relacionamento, por outro lado, nunca se confirmou e ainda transformou a forma de ambos lidarem com a relação. De acordo com ela, ao longo do caminho, eles aprenderam a pedir desculpas, respeitar os limites um do outro e enxergar o parceiro como um indivíduo, e não como uma propriedade.
“Depois de tudo, foi aí que nos aproximamos mais e não nos largamos por nada! O swing nos ensinou a importância do diálogo e do perdão”, diz.
Por último, ela reforça que, para quem pensa em conhecer esse universo, o conselho é simples: estudar o tema, conversar bastante e, se decidir visitar algum espaço liberal, ir sem pressão para viver qualquer experiência pela primeira vez. “Não sei se irão fazer uma troca de casal, mas tenho certeza que irão se divertir muito”, finaliza.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Julia de Mesquita.




