ENTRETENIMENTO

Ex-funcionário da Anac alertou sobre problemas na Voepass antes de acidente que matou 62 pessoas

Por Andressa Reis

Ex-funcionário da Anac alertou sobre problemas na Voepass antes de acidente que matou 62 pessoas

Ex-inspetor afirma ter feito alertas desde 2019 sobre irregularidades envolvendo aeronaves; Anac diz que casos foram analisados

(Reprodução)

Dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, que deixou 62 mortos em Vinhedo, no interior de São Paulo, uma denúncia obtida pelo Fantástico revelou que um ex-funcionário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia alertado o órgão sobre o reaproveitamento de peças em aeronaves da companhia antes da tragédia. Na última quinta-feira, a Polícia Federal concluiu a investigação sobre as causas do acidente e indiciou 16 pessoas.

Os documentos revelam que os alertas do ex-inspetor começaram anos antes da queda do voo 2283. Em 2019, ele recomendou a suspensão da autorização de voo da MAP Linhas Aéreas, empresa que posteriormente se fundiu à Passaredo para formar a Voepass. O profissional apontava indícios de utilização de peças sem a devida avaliação de aeronavegabilidade, mas afirma que a recomendação não foi acatada pela Anac.

Em 2022, o então servidor voltou a levantar preocupações ao relatar que componentes de uma aeronave envolvida em um acidente em Rondonópolis, no Mato Grosso, em 2016, estariam sendo reaproveitados de maneira irregular. Diante do que considerava falta de providências dentro da agência, ele encaminhou mensagens a órgãos internacionais de aviação, como a FAA, dos Estados Unidos, e a EASA, da União Europeia.

De acordo com a denúncia, a Anac desautorizou o inspetor perante as instituições. Segundo ele, os apontamentos sobre problemas na empresa teriam provocado perseguições por parte de dirigentes da agência. Ele posteriormente respondeu a um processo interno por insubordinação e foi exonerado em 2025, após 16 anos de serviço.

As acusações de prevaricação apresentadas contra funcionários da Anac chegaram ao Ministério Público Federal, mas foram arquivadas por falta de provas. Um processo cível envolvendo acusações de injúria e difamação, no entanto, permanece em andamento.

A agência cassou a autorização da Voepass em junho de 2025, dez meses depois do acidente. Em nota, a Anac afirmou que os apontamentos referentes à aeronave de Rondonópolis foram analisados e que as peças passaram pelas verificações previstas nas normas. O órgão também anunciou a abertura de um processo interno para apurar eventuais responsabilidades de servidores.

Com a conclusão da investigação da Polícia Federal, os 16 indiciados podem responder por atentado contra a segurança do transporte aéreo e falsidade ideológica.

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Tags:VOEPASS

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Andressa Reis.