Mesmo após ser condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Almeida seguiu com o cargo na Alesp por cerca de dois meses. Em nota, a equipe de Souza diz que o ex-prefeito só saiu porque quis preparar sua defesa, já que a decisão não é definitiva.
“Ele decidiu dedicar-se agora à coordenação das campanhas do PT na sua região e à sua defesa para reverter essa decisão do TJ e manter o entendimento da primeira instância, onde foi absolvido, já que não se trata de uma sentença definitiva do Poder Judiciário”, diz em nota.
Souza é amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e estava no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC quando ele decidiu se entregar à Polícia Federal (PF), em abril de 2018. Agora, o parlamentar é coordenador do programa de campanha do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo.
Remuneração
Carlinhos de Almeida trabalhou mais de 7 anos no gabinete de Emídio de Souza. Nesse período, os salários brutos variaram entre R$ 8,8 mil e R$ 22,8 mil.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Ao todo, o ex-prefeito recebeu mais de R$ 1,5 milhão. A média mensal é de um pouco mais do que R$ 18 mil.
O motivo da condenação
- A prefeitura de São José dos Campos, sob governo de Carlinhos Almeida, contratou a Fundação da Universidade de São Paulo (Fusp) para pesquisas, estudos e elaboração do projeto básico do sistema de transporte BRT.
- A Fusp, porém, subcontratou 100% dos serviços e o projeto do BRT nunca saiu do papel, de acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
- Entre as subcontratadas, está uma empresa em nome de familiares do então diretor da Fusp, o engenheiro eletricista e professor da Escola Politécnica da USP José Roberto Cardoso.
- A Electromagnetics Tecnologia e Informática Ltda, do filho e da esposa de Cardoso, recebeu R$ 546 mil da Fusp.
- Havia ainda dois contratos concomitantes, com o mesmo objetivo, na prefeitura de São José dos Campos. Um com a Fusp, e outro com a Fundação de Apoio Institucional à Universidade Federal de São Carlos (FAI-UFScar). Ambos foram feitos com dispensa de licitação.
- O episódio, para o MPSP, é um exemplo de “desorganização administrativa utilizada como instrumento de direcionamento dos recursos públicos”.
- O Inquérito Civil foi aberto em novembro de 2016 para averiguar os contratos que iniciaram em 2015.
- Em maio de 2017, o processo foi arquivado. E desarquivado, no ano seguinte, por uma ação judicial da própria prefeitura contra a Fusp.
- O prefeito à época da ação é o atual vice-governador Felício Ramuth (MDB), sucessor de Almeida na prefeitura de São José dos Campos.




