O ex-tenente da reserva remunerada da Polícia Militar do Acre Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, foi condenado a 40 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelo assassinato de Ionara da Silva Nazaré, em Rio Branco. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (17).
O crime ocorreu em 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães. Segundo a acusação, Ionara foi atingida por quatro disparos dentro da residência da família, na presença das duas filhas, que tinham 3 e 7 anos na época.
Após o assassinato, Reginaldo fugiu e foi preso dois dias depois. A arma utilizada no crime, que estava sob sua posse e pertencia à Polícia Militar, também foi apreendida.
Durante o julgamento, familiares de Ionara relataram aos jurados os efeitos provocados pelo assassinato. Uma das irmãs afirmou ter ficado aliviada com a condenação e disse que a decisão não elimina a dor provocada pela perda.
“Eu, como irmã, não acho que a justiça seja justa pelo fato de saber que ele não responde a tudo preso. Mas, fiquei muito aliviada de saber que responde por feminicídio, que foram levadas em conta as agravantes e que a gente conseguiu a pena máxima”, afirmou.
A irmã também relatou que Ionara teria demonstrado, antes da morte, sentir-se limitada dentro do relacionamento. Segundo o depoimento, ela dizia sentir falta de atividades simples fora de casa e demonstrava receio diante do comportamento do companheiro.

A mãe de Ionara, Audilene da Silva, também prestou depoimento e falou sobre as consequências do crime para as duas netas. Segundo ela, a filha mais nova, que tinha três anos quando presenciou o assassinato, ainda relata o episódio diariamente.
Audilene afirmou ainda que a família passou a enfrentar dificuldades financeiras após a morte de Ionara, incluindo despesas com medicamentos e alimentação das crianças.
O processo chegou ao Tribunal do Júri depois que Reginaldo foi pronunciado pela Justiça do Acre em março deste ano. Na decisão, o juiz Fábio Alexandre Costa de Farias entendeu que havia elementos para que o caso fosse analisado pelos jurados e apontou o contexto de violência doméstica e familiar.
Conforme a decisão de pronúncia, o crime ocorreu durante uma discussão relacionada a questões financeiras e aos valores pagos pelo acusado como pensão alimentícia a um filho de outro relacionamento.
Reginaldo havia se aposentado da Polícia Militar como segundo-tenente em fevereiro de 2018, após completar mais de 30 anos de serviço. Em 2022, foi reconvocado para atuar na área administrativa do Quartel do Comando-Geral da PM-AC, pela Reserva Remunerada.
Com informações do G1 Acre.




