A exigência dos Estados Unidos para reduzir o tarifaço contra o Brasil passou a integrar as negociações diplomáticas entre os dois países após autoridades norte-americanas apresentarem uma série de condições ao governo brasileiro. Segundo integrantes do Palácio do Planalto, os pedidos envolvem mudanças em áreas estratégicas da economia e foram considerados “inaceitáveis” pelo governo federal.
De acordo com interlocutores da equipe econômica e diplomática, representantes do governo dos Estados Unidos indicaram que a redução das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros dependeria da adoção de medidas que ampliariam o acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro.
EUA apresentaram lista de exigências
Segundo integrantes do governo brasileiro, entre as principais condições apresentadas pelos Estados Unidos estão:
- Zerar as tarifas para empresas norte-americanas nos setores de bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo;
- Eliminar a tarifa incidente sobre o etanol importado dos Estados Unidos;
- Não avançar na regulamentação das plataformas digitais;
- Incluir o sistema de pagamentos instantâneos PIX nas negociações comerciais entre os dois países.
Conforme integrantes do Palácio do Planalto, a avaliação interna foi de que aceitar essas condições provocaria impactos econômicos superiores aos efeitos provocados pelo próprio tarifaço anunciado pelos Estados Unidos.
Governo considera proposta “inaceitável”
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que as exigências apresentadas durante as negociações extrapolam a discussão comercial e atingem áreas consideradas estratégicas para a soberania econômica brasileira.
Segundo essa avaliação, abrir mão das tarifas em determinados setores ou modificar políticas públicas relacionadas ao PIX e à regulamentação das plataformas digitais poderia gerar consequências permanentes para a economia nacional.
Por esse motivo, o governo decidiu não aceitar os termos apresentados durante as conversas diplomáticas.
Tarifaço entra em vigor em 22 de julho
As novas tarifas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump devem entrar em vigor em 22 de julho.
Segundo estimativas divulgadas pelo governo brasileiro, aproximadamente 18% das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões, poderão ser afetadas pela medida.
Entre os produtos sujeitos às novas tarifas estão itens industriais, máquinas agrícolas, produtos químicos, papel, vestuário, calçados e etanol. Outros produtos permaneceram fora da lista de tributação.
Brasil afirma que manteve diálogo com autoridades americanas
De acordo com a diplomacia brasileira, desde o anúncio inicial das medidas comerciais foram realizados mais de 30 contatos entre representantes dos dois países.
As conversas envolveram reuniões presenciais, videoconferências e contatos telefônicos em níveis técnico, ministerial e presidencial.
Mesmo sem avanço nas negociações até o momento, o governo brasileiro afirma que pretende manter canais diplomáticos abertos para buscar alternativas capazes de reduzir os impactos sobre os setores exportadores brasileiros.
Governo seguirá negociando
Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a estratégia continuará baseada no diálogo diplomático, evitando reações precipitadas e acompanhando a evolução das tratativas com as autoridades norte-americanas.
Segundo negociadores brasileiros, o objetivo é preservar os interesses econômicos do país enquanto busca soluções que minimizem os efeitos das novas tarifas sobre empresas e trabalhadores brasileiros.
Por Samoel Andrade





