Expulso do Condomínio Solar de Brasília após histórico de violência, Vinícius de Oliveira Scucato, 51 anos, admitiu que agrediu moradores, mas justificou ter cometido os atos após suposta perseguição. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) proibiu Vinicíus e o filho, João Vitor Mendes Scucato, 21, de morar e frequentar o residencial, localizado no Jardim Botânico (DF).
O homem, que responde processos na esfera cível e criminal, disse que fez denúncias de irregularidades no condomínio e que começou a ser perseguido pelos funcionários e vizinhos por isso.
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do Metrópoles DF
“Um rapaz meteu a mão na cara do meu filho, eu só tentei me defender. A filmagem mostra eu tentando entrar em casa duas vezes, enquanto o cara segurava a gente. Eu consegui tomar a corrente dele, me defender, e o meu filho deu um mata-leão nele. A gente conseguiu provar na Justiça que o cara estava errado”, destacou.
Sobre um processo de assédio sexual contra si, Vinícius negou e disse que representou judicialmente por difamação contra o pai da menina que o acusa. “Eu nem sei quem é a filha dele”, disse o rapaz.
Expulsão
Pai e filho foram expulsos do condomínio pela Justiça do Distrito Federal após um histórico de situações envolvendo violência, maus-tratos contra animais, assédio sexual e até a manutenção de um ferro-velho irregular.
A assembleia do Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF), tentou conter o comportamento agressivo e intimidador de Vinícius de Oliveira Scucato, 51 anos, e João Vitor Mendes Scucato, 21, pai e filho, por meio de multas administrativas que chegaram ao teto de 10 vezes o valor da taxa mensal do condomínio.
A sentença proferida na última segunda-feira (31/8) relata um histórico de mais de 10 anos de infrações administrativas, cíveis e crimes que inviabilizaram o convívio da dupla com os vizinhos. A decisão foi tomada após a assembleia do condomínio entrar com uma ação na esfera cível contra pai e filho.
Entre os episódios cometidos por pai e filho estão agressões com facão e corrente de ferro, asfixia de um vizinho, tentativa de atropelamento de funcionário, arremesso de pedras contra trabalhadores e ameaças a moradores. Vinícius também é acusado de fazer comentário de cunho sexual contra uma adolescente.
Vinícius ainda é acusado de operar uma oficina e um ferro-velho clandestino dentro de casa, além de ter sido alvo de uma operação por manter um canil e criações de aves em condições insalubres.
Lista de delitos
- Oficina e ferro-velho clandestinos no condomínio: desde 2010, Vinícius acumulava veículos sucateados, carcaças, peças automotivas e resíduos industriais em suas casas (Quadra 1 e Quadra 2), operando um ferro-velho irregular que gerava sujeira, pragas e insetos;
- Canil e criação de aves em condições insalubres: em 2015, uma operação policial resgatou 81 cães desnutridos e doentes mantidos sob maus-tratos em um canil clandestino com exploração comercial de filhotes. Além disso, ele manteve criação irregular de galos, patos e perus na Quadra 2, causando barulho incessante e proliferação de pombos;
- Ataque com facão e rodo (2015): após desentendimentos, Vinícius atacou um vizinho com um facão no rosto (a vítima defendeu-se com a mão, ficando com sequelas no dedo) e depois o golpeou com um rodo de madeira no rosto, quebrando-lhe um dente;
- Agressão e ofensas a carteiro (2020): João Vitor, incitado pelo pai Vinícius, atirou um pedregulho e um bloco de concreto contra um carteiro em uma motocicleta, atingindo suas pernas e braços. O carteiro também relatou ter tido cão solto contra ele e ser vítima de ofensas verbais homofóbicas recorrentes por parte de Vinícius ao entregar cartas;
- Esnobada e “mata-leão” com corrente de ferro (2024): Vinícius e João Vitor agrediram um vizinho no meio da rua. Enquanto o filho imobilizava a vítima no chão em um golpe “mata-leão”, o pai desferia reiterados golpes em sua cabeça e rosto com uma corrente de ferro pesada, provocando sangramento intenso. A agressão só cessou quando um policial militar armado interveio;
- Tentativa de atropelamento de funcionário (2024): Vinícius avançou deliberadamente de carro contra um supervisor do condomínio, passando por cima de cones de sinalização. O funcionário precisou se jogar de lado para não ser atropelado;
- Invasão de privacidade e assédio sexual contra menor (2025): Vinícius escalava o muro de sua residência para filmar, xingar e aterrorizar a família de um vizinho confrontante. O morador relatou em juízo que o réu proferiu assédio verbal de cunho sexual contra sua filha adolescente na rua interna do residencial;
- Afronta durante o processo (2026): mesmo após receber uma decisão liminar com multa de R$ 2 mil, Vinícius compareceu à sede da administração do condomínio para filmar ostensivamente, provocar tumultos e constranger os funcionários de atendimento.
Processos criminais
Vinicius responde criminalmente por diversos delitos na vara criminal, mas também possui um grande número de processos contra outras pessoas.
Um ex-vizinho de Vinicius, que preferiu não se identificar, informou que era comum aos vizinhos criarem tumulto e registrarem Boletim de Ocorrência contra as vítimas de agressões. “Eles têm um modus operandi de arrumar confusão e em seguida registrar B.O alegando terem sido ameaçados”, afirmou.
O mesmo vizinho acabou sendo intimidado por Vinicius ao não deixar seus filhos se aproximarem do filho do homem que possuía um histórico ruim. “Ele quis vir tirar satisfação conosco, e chegou a ameaçar chamar o Conselho Tutelar”, relatou o vizinho.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por João Paulo Nunes.




