Dormir inadequadamente ou insuficientemente pode ter impactos significativos no humor e na saúde mental, conforme indicado por um novo estudo norte-americano que abrange 50 anos de pesquisa.
Sete horas de sono sólido são cruciais para a saúde
De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, adultos com mais de 18 anos precisam de pelo menos sete horas de sono sólido à noite para manterem uma boa saúde. Estudos anteriores vincularam a falta de sono a diversos riscos, incluindo obesidade, doenças cardíacas, demência e distúrbios de humor.
Apesar das recomendações, mais de 30% dos adultos apresentam um déficit diário de sono, dormindo menos do que o necessário, e quase 1 em cada 10 adultos perde duas ou mais horas de sono todas as noites, conforme apontado por um estudo de 2022.
Jo Bower, co-líder do estudo e professor da Universidade de East Anglia, ressaltou que, globalmente, as pessoas raramente alcançam a quantidade recomendada de sono, e isso pode ter consequências sérias para a saúde emocional, especialmente em um contexto de aumento rápido de problemas de saúde mental.
Impacto nas emoções e na saúde mental
A pesquisa abrangente revelou que a privação total de sono teve um impacto mais significativo no humor e nas emoções em comparação com a perda parcial ou fragmentação do sono. Mesmo curtos períodos de perda de sono, como ficar acordado uma ou duas horas a mais do que o habitual, resultaram em uma redução no humor positivo.
Os especialistas enfatizaram as fortes conexões entre saúde mental e sono, destacando que a qualidade do sono afeta os circuitos neurais relacionados à experiência de recompensas e emoções positivas. A perda de sono também piorou os sintomas de ansiedade e depressão, mesmo em pessoas sem problemas psiquiátricos ou de saúde física conhecidos.
Recomendações e reflexões finais
O estudo concluiu que, embora todos os tipos de distúrbios do sono afetem o humor, a perda de sono REM (movimento rápido dos olhos) teve um impacto mais negativo nas reações às experiências emocionais em comparação com a perda de sono de ondas lentas ou “profundo”. A pesquisa apontou que o sono REM está relacionado ao processamento de memórias emocionais, enquanto o sono de ondas lentas pode influenciar as respostas a situações emocionais positivas.
O especialista em sono e pneumologista Dr. Raj Dasgupta sublinhou a importância do sono adequado como parte essencial do autocuidado, comparável à alimentação saudável e à prática de exercícios. Ele destacou que a insônia crônica pode aumentar o risco de transtornos de humor, como depressão e ansiedade, e reforçou a necessidade de abordagens sistêmicas para apoiar a qualidade do sono, como políticas relacionadas a horários de trabalho e acesso a cuidados de saúde voltados para problemas de sono.








