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Fãs da Playstation questionam futuro dos games após declarações da Sony

Por Adriana Arcoverde
Playstation, marca que revolucionou a indústria dos games no Séc. XXI

A decisão da Sony de abandonar gradualmente a venda de jogos em mídia física colocou em evidência uma questão que já chegou à Justiça dos Estados Unidos: afinal, o que significa comprar um jogo?

A partir de 2028, novos títulos lançados para PlayStation serão vendidos exclusivamente em lojas digitais. Na prática, o jogador não terá mais um disco para guardar — e, segundo a própria empresa, também não será proprietário do jogo digital adquirido, mas apenas terá uma licença para acessá-lo.

É justamente essa relação entre consumidor e jogo digital que está no centro de uma disputa judicial na Califórnia. Um grupo de jogadores acusa a Sony Interactive Entertainment, responsável pela PlayStation, de não deixar claro em anúncios e termos de venda que, ao “comprar” um título nas lojas virtuais, o consumidor está adquirindo apenas o direito de acessar aquele conteúdo.

Em resposta, a empresa argumenta que “não é plausível” afirmar que os consumidores estariam sendo levados a acreditar que, de fato, teriam propriedade sob o título vendido.

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do Metrópoles

“Um usuário razoável teria visto os termos de serviço acima ou logo abaixo do botão de ação [de comprar]”, diz a defesa da Sony em uma petição enviada à Justiça no último dia 21 de agosto.  “[O usuário] pode usar um produto das formas descritas na licença, mas não é proprietário do produto. O software [do jogo] é licenciado a ele, não vendido”, acrescentam.

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Este não foi o único argumento que deixou os fãs da Playstation incomodados. Para rebater os jogadores que entraram com a ação, em junho deste ano, a empresa questionou: se dois deles “compraram” o mesmo jogo com apenas 11 dias de diferença, como eles poderiam acreditar que ambos seriam proprietários do mesmo produto?

“Na era digital, não é plausível alegar que consumidores razoáveis ​​acreditavam estar adquirindo a ‘propriedade’ de um jogo digital”, concluem.

Jogadores indignados

Conforme as declarações da Sony Interactive Entertainment foram reveladas pela imprensa internacional, jogadores e fãs da Playstation usaram as redes sociais para demonstrar a indignação com a postura da empresa. Yann Neves, dono do canal Save Manual, foi um dos jogadores que ficaram desapontados com a empresa que, na petição, deixou claro que a licença vendida pode a qualquer momento ser revogada.

“A Sony fez questão de mandar um email lembrando a gente que não possuímos de fato o jogo, e sim a licença”, conta ao Metrópoles. “Eu me senti enganado e muito puto. Aparentemente, a única segurança que tenho é se eu baixar meus jogos e não ligar mais a internet, terrível”, lamentou.

Na avaliação de Eduardo RedeSeT, especialista em tecnologia e dono do canal Aperte o Pause, os argumentos da Sony fazem sim sentido considerando o mercado atual não só de videogames, mas da indústria do entretenimento como um todo. Ele ressalta, porém, que falta clareza ao consumidor médio.

“Existe uma diferença entre o que a Sony diz e a percepção do consumidor de que ele está comprando um produto”, afirma. “Enquanto consumidores, nós já passamos por isso na música: deixamos de comprar CDs e DVDs e migramos para o streaming, onde pagamos pelo direito de acessar aquele conteúdo, e não para possuí-lo para sempre. Nos games, estamos caminhando para algo parecido”, avalia.

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Fim das mídias físicas da Playstation

A ação movida pelos jogadores contra a Sony Interactive Entertainment ganhou uma repercussão ainda maior considerando declarações recentes da empresa a respeito da venda de jogos em mídias físicas.

Em julho deste ano, a Playstation anunciou que todos os novos jogos seriam vendidos exclusivamente nas lojas digitais a partir de 2028. Além disso, a empresa também detalhou que estima que a produção de discos de jogos lançados até dezembro de 2027 seja reduzida em cerca de 10%.

As medidas, segundo o anúncio, seriam uma “resposta às mudanças nas tendências da preferência dos consumidores”. “Se a indústria realmente caminhar para o fim das mídias físicas, a discussão sobre o que significa ‘comprar’ um jogo vai ficar ainda mais importante”, reflete Eduardo.

Veículos especializados como o Game Substack avaliam que, no momento, ainda é cedo para dizer quais serão os impactos reais na relação entre a Playstation e outras empresas de videogames com os consumidores. Jogadores da velha guarda, no entanto, veem esta postura com temor.

“Parece algo bobo, mas ter um jogo no CD acaba sendo uma forma de colecionar e de ter em um espaço físico aquilo que um dia te divertiu por horas”, lamenta Yann Neves.

“Nesse futuro triste, sem mídias, imagino que uma simples descida no feed de alguma rede social já vá ser o suficiente pra suprir a curiosidade, eliminando qualquer aproximação com a obra. Com filmes já é o que acontece, tanto é que quem ama muito alguma obra procura ao menos ter um pôster. E eu espero que a gente não chegue nesse ponto com os jogos também. Prefiro muito mais guardar CD do que um código”, declara.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Adriana Arcoverde.