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ExpoSena 2024: Prefeitura pagou R$ 350 mil por Fernanda Brum, mas cantora recebeu R$ 153 mil, diz MPAC

Diferença de R$ 197 mil chama atenção em investigação; equipe da artista também afirma que não concedeu exclusividade à empresa citada na contratação.

Redação Por

Uma diferença de R$ 197 mil entre o valor apresentado à Prefeitura de Sena Madureira e o que efetivamente chegou à empresa responsável pela cantora Fernanda Brum é um dos pontos que mais chamam atenção na Ação Civil Pública do Ministério Público do Acre sobre os shows da ExpoSena 2024.

De um lado, documentos analisados pelo MP mostram que a proposta apresentada pela empresa D H S da Cruz Sociedade Ltda., a Moon Club, para a apresentação de Fernanda Brum foi de R$ 350 mil.

Do outro, a própria equipe da cantora informou ao Ministério Público, apresentando contrato e comprovantes, que o valor recebido pela Criative Music Ltda. foi de R$ 153 mil.

Ou seja: R$ 350 mil de um lado e R$ 153 mil do outro. Uma diferença nominal de R$ 197 mil.

E a história não para nos valores.

Equipe de Fernanda Brum diz que não deu exclusividade

Um dos detalhes mais surpreendentes da documentação aparece quando a produção de Fernanda Brum é questionada sobre a suposta representação exclusiva utilizada na contratação.

A resposta reproduzida pelo Ministério Público é clara: a equipe afirma não ter conhecimento de que a York Shows Eventos Ltda. tenha recebido representação exclusiva para aquela contratação.

Segundo a produção, o processo teria ocorrido como uma contratação comum de agenda: alguém entrou em contato, verificou a disponibilidade da cantora e fechou o show.

Mais curioso ainda: inicialmente, o interesse teria sido contratar Bruna Karla. Como a logística não permitiu, surgiu a possibilidade de Fernanda Brum, cuja agenda estava disponível.

“Johnnes da Inove Eventos”

Outro detalhe revelado pela resposta da equipe da cantora ajuda o Ministério Público a montar o quebra-cabeça de quem estava por trás das negociações.

Segundo a documentação, a pessoa interessada na agenda se apresentou como “Johnnes da INOVE EVENTOS”.

A equipe afirma ainda que não teve contato com a York Shows Eventos naquele negócio e que quem se identificou como produtor e ficou responsável pelos contatos em Sena Madureira foi uma pessoa identificada como Johnnes.

Apesar disso, quem aparece formalmente como contratante no acordo com a cantora é a D H S da Cruz Sociedade Ltda.

Afinal, para onde foi a diferença?

Essa é uma das perguntas inevitáveis que surgem da leitura dos documentos.

Se a proposta apresentada à Prefeitura para Fernanda Brum foi de R$ 350 mil e a empresa da artista comprovou recebimento de R$ 153 mil, existe uma diferença nominal de R$ 197 mil entre os dois valores.

Isso não significa, por si só, que todo esse montante tenha sido desviado ou apropriado indevidamente. Custos de produção, logística, agenciamento e outras despesas podem fazer parte de uma contratação.

É justamente por isso que a apuração do Ministério Público é relevante: identificar quanto custou efetivamente o show, quais despesas existiram, quem recebeu os valores e se o preço cobrado do poder público tinha justificativa.

A própria produção de Fernanda Brum informou que os custos estavam discriminados em documentação enviada ao MP e que a comissão do produtor local foi descontada diretamente do valor negociado, resultando nos R$ 153 mil recebidos pela Criative Music.

MP encontrou problema até na carta de exclusividade

A investigação também questiona a documentação utilizada para a contratação direta.

Segundo a Ação Civil Pública, a carta relacionada a Fernanda Brum, atribuída à York Shows Eventos, não apresentava a data de sua concessão à Moon Club.

O MP aponta ainda que a própria equipe da cantora declarou não ter conhecimento da outorga dessa representação exclusiva.

É justamente esse conjunto de informações — valores, contratos, comprovantes, cartas de exclusividade e relatos dos próprios artistas — que sustenta parte dos questionamentos apresentados pela Promotoria sobre as contratações da ExpoSena.

Caso está agora nas mãos da Justiça

A Ação Civil Pública não representa uma condenação. São acusações formuladas pelo Ministério Público, que ainda serão submetidas ao contraditório e à análise do Poder Judiciário.

Mas os números revelados pelos documentos deixam uma pergunta que certamente deverá ser respondida no decorrer do processo:

se Fernanda Brum recebeu R$ 153 mil, como a contratação apresentada ao Município chegou aos R$ 350 mil?

Essa diferença de R$ 197 mil agora está no centro de uma investigação que promete continuar rendendo novos capítulos sobre os bastidores financeiros da ExpoSena 2024.