Aliados avaliam que, embora tenha herdado o eleitorado mais fiel do pai, Flávio ainda não conseguiu despertar as mesmas “paixões” nem engajar o bolsonarismo com intensidade semelhante.
O grupo espera que as revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aumentem o comparecimento à manifestação. As informações vieram a público a menos de uma semana do ato e provocaram uma disputa entre integrantes do STF.
Segundo a PF, Daniel Vorcaro pediu ajuda para tratar de seus problemas com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O banqueiro também perguntou ao contato identificado como Alexandre de Moraes se deveria deixar o país antes de ser preso.
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Dois dias depois, Alexandre de Moraes reagiu. Dentro do inquérito das fake news, aberto em 2019, ele pediu que André Mendonça fosse investigado por possíveis atos de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Moraes acusa o colega de direcionar alvos, interferir nos procedimentos da Polícia Federal e atuar sem a imparcialidade exigida de um relator. Também afirma que Mendonça teria favorecido determinados grupos políticos durante a condução das investigações sobre o Master e os desvios na Previdência.
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro avaliam que a crise favorece o candidato do PL. Para esses aliados, as informações sobre Moraes alimentam a acusação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi perseguido no processo sobre a tentativa de golpe de Estado, que resultou em sua condenação e prisão.
Alexandre de Moraes é tratado pelos aliados de Bolsonaro como o principal adversário do grupo no Judiciário. O ministro conduziu investigações e processos contra o ex-presidente, seus filhos e políticos próximos à família.
Flávio vinha evitando colocar o impeachment de ministros do Supremo no centro da campanha presidencial. Nesta semana, porém, ele aumentou as críticas a Moraes e passou a defender que ele renuncie, seja afastado ou responda a um processo de impeachment.
O grupo também espera que o caso ajude os candidatos bolsonaristas ao Senado. Parte deles faz campanha com a promessa de apoiar o impeachment de ministros do Supremo.
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam ainda que o desgaste de Alexandre de Moraes pode atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha pretende explorar a aproximação política entre o ministro e o petista após o 8 de Janeiro.
O que o plano de governo de Flávio prevê para o STF
- Limites para decisões tomadas individualmente por ministros.
- Restringir o grupo de pessoas e entidades autorizadas a questionar diretamente no STF a constitucionalidade de leis.
- Acabar com o foro privilegiado de deputados federais e senadores.
- Impedir que parentes de ministros, até o terceiro grau, e os respectivos escritórios de advocacia atuem no STF.
- Exigir uma quarentena de um ano para que ministros de Estado possam ser indicados ao Supremo.
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Flávio Bolsonaro durante sabatina no Jornal Nacional
Reprodução/Redes Sociais2 de 4
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, em transmissão ao vivo nesta quinta-feira (20/8)
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Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em ato, na avenida Paulista, em março de 2025
DANILO M. YOSHIOKA / ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka4 de 4
Senador e candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Reprodução/Flávio Bolsonaro
O ato
Segundo aliados, os ataques a Alexandre de Moraes e a Alcolumbre deverão aparecer no ato da Avenida Paulista.
A manifestação está marcada para segunda-feira (7/9), às 15h. O PL mobiliza parlamentares, candidatos e dirigentes para ocupar a avenida. São esperados o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia.
Até a última sexta-feira (4/9), a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, ainda não estava definida.
A campanha trata o ato como uma oportunidade de ampliar a exposição de Flávio Bolsonaro a menos de um mês do primeiro turno.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3/9) mostrou Lula com 38% das intenções de voto e o candidato do PL com 33%. Na simulação de segundo turno, o presidente tem 46% e Flávio, 44%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Os aliados esperam que uma manifestação cheia anime a militância e aumente a presença do candidato no debate eleitoral. Flávio abriu a campanha com um ato em Copacabana, no Rio, outro local usado pelo pai para reunir apoiadores. Integrantes de seu grupo consideraram a repercussão inferior à esperada.
Jair Bolsonaro discursou na Avenida Paulista em 7 de setembro de 2021. Naquele dia, o então presidente atacou Alexandre de Moraes e declarou que deixaria de cumprir decisões do ministro.
No ano seguinte, já candidato à reeleição, Bolsonaro participou de manifestações em Brasília e em Copacabana durante as comemorações do Bicentenário da Independência. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu posteriormente que os atos configuraram abuso de poder político e econômico e declarou Jair Bolsonaro e Braga Netto inelegíveis.
Dark Horse em segundo plano
A repercussão das informações sobre Alexandre de Moraes também reduziu, na avaliação de aliados de Flávio, o espaço dedicado ao caso Dark Horse. A relação do candidato com Daniel Vorcaro permanece sob investigação e continua sendo tratada internamente como um ponto de preocupação.
Documentos e mensagens apontam que Flávio Bolsonaro procurou Vorcaro e negociou com o banqueiro um compromisso de até R$ 134 milhões para produzir um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os dados indicam que cerca de R$ 60 milhões foram transferidos para o projeto.
Flávio tenta se desvincular do caso há meses. O candidato afirma que não houve irregularidade nem troca de favores, diz que não administrava os recursos e atribui à produtora Go Up Entertainment a responsabilidade de explicar os valores.
Ofensiva contra Alcolumbre
Além de aumentar as críticas a Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro passou a mirar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre é próximo do ministro e tem o poder de decidir se os pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do STF começam a tramitar.
Senadores da oposição cobraram uma posição de Alcolumbre na quarta-feira (2/9). O presidente do Senado afirmou que não havia previsão de analisar um dos pedidos contra Moraes e citou o caso Dark Horse ao defender o ministro.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para fazer um filme e, agora, o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Alcolumbre.
Dois dias depois, Flávio acusou o presidente do Senado de proteger Moraes. O candidato também afirmou que Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre estariam preocupados com a própria “autoproteção”.
“Eu acho que ele se equivocou ao querer proteger um amigo, ao invés de proteger a instituição”, disse Flávio durante uma agenda em São Carlos, no interior de São Paulo.
Para aliados de Flávio Bolsonaro, as críticas a Davi Alcolumbre fazem parte da tentativa de apresentar Flávio como um candidato disposto a enfrentar integrantes do Supremo e o comando do Congresso. Eles também avaliam que a postura pode aproximá-lo do perfil antissistema adotado pelo pai.
Também passa pela estratégia o cálculo do PL para ampliar sua bancada no Senado e tentar, em 2027, eleger um nome alinhado ao bolsonarismo para o comando da Casa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Kevin Lima.




