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Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas ligadas ao Banco Master

Reportagem aponta movimentações entre escritório de Flávio Bolsonaro e empresas ligadas à investigação do Banco Master.

Redação Por

Flávio Bolsonaro notas fiscais Banco Master estão no centro de uma nova reportagem publicada nesta terça-feira (22), que aponta que o escritório de advocacia do senador e pré-candidato à Presidência da República emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas relacionadas à estrutura empresarial investigada no caso envolvendo o Banco Master.

Segundo a reportagem, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais de R$ 500 mil cada. Duas delas foram destinadas à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., no dia 7 de abril de 2025, mas acabaram sendo canceladas. A terceira, emitida em 9 de abril de 2025, teve como destinatária a empresa Contábil Correa e não possui registro de cancelamento.

A investigação aponta que as duas empresas possuem ligação por meio do contador Rogério Lourenço Novo. Conforme registros da Receita Federal, ele figura como diretor da Copenhagen e sócio da Contábil Correa, além de integrar o conselho fiscal da Ambipar.

Ainda de acordo com a reportagem, a Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com capital social de R$ 40 e posteriormente recebeu R$ 58 milhões provenientes do Banco Master. A Polícia Federal investiga a movimentação financeira envolvendo empresas ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro.

As notas fiscais canceladas descreviam a prestação de serviços de consultoria jurídica à Copenhagen. A empresa não possui sede própria nem site institucional e está registrada no mesmo endereço da Contábil Correa, em São Caetano do Sul (SP).

Defesa de Flávio Bolsonaro

Em nota divulgada à imprensa, Flávio Bolsonaro negou qualquer relação com o Banco Master.

Segundo a defesa, o escritório firmou contrato de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, empresa que atende centenas de clientes.

Ainda conforme o posicionamento, houve apenas uma consulta sobre eventual prestação de serviços à Copenhagen Assessoria, mas a contratação não foi concluída e, por isso, as notas fiscais foram canceladas.

O senador também afirmou que jamais teve conhecimento de qualquer vínculo entre as empresas e o Banco Master e classificou como infundadas as tentativas de associar seu nome às investigações. Além disso, alegou que eventual divulgação de informações protegidas por sigilo fiscal deverá ser questionada judicialmente.

Dono da Copenhagen confirma contratação

Ao ser procurado, Rogério Lourenço Novo afirmou ser proprietário da Copenhagen e declarou que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos a clientes de sua empresa de contabilidade.

Segundo ele, a prestação de serviços ocorreria por meio de uma espécie de terceirização. No entanto, ao ser questionado sobre quais clientes foram atendidos e quais serviços efetivamente foram prestados, afirmou não se recordar dos detalhes.

A Trustee DTVM, administradora do fundo ligado à Copenhagen, informou que não participou das relações comerciais da empresa nem de negociações envolvendo pagamentos do Banco Master.

Até o momento, Flávio Bolsonaro afirma que não é investigado formalmente no caso e nega qualquer irregularidade.

Por Samoel Andrade