O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reúne nesta terça-feira (11/8), em Brasília, candidatos ao Senado do partido e nomes de outras siglas que recebem seu apoio. A expectativa da campanha é que cerca de 40 postulantes participem do encontro.
A reunião faz parte da estratégia do PL de aproximar a disputa presidencial das campanhas estaduais e reforçar a corrida pelo Senado, tratada como uma das prioridades do grupo político de Flávio para as eleições de outubro.
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Para o PL, ampliar a bancada de aliados pode dar ao grupo mais força nas votações, nas negociações internas e na escolha do próximo presidente do Senado. Uma bancada maior também pode ajudar um eventual governo de Flávio a aprovar propostas no Congresso.
A relação com o Supremo é outro ponto central da estratégia. Cabe ao Senado analisar as indicações feitas pelo presidente da República para o STF e decidir sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte.
A campanha deve destacar na reunião que o próximo presidente poderá indicar quatro ministros do Supremo ao longo do mandato. Os escolhidos precisam passar por sabatina e receber a aprovação de pelo menos 41 dos 81 senadores antes de serem nomeados.
O peso dessa atribuição ficou ainda mais evidente neste ano, depois que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi a primeira vez em 132 anos que um nome escolhido para o STF não conseguiu os votos necessários na Casa.
PL mira maioria no Senado
A eleição de senadores já estava entre as prioridades do grupo antes mesmo do início da campanha de Flávio. Em junho de 2025, dois meses antes de ser preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu que seus aliados concentrassem esforços na disputa pelo Senado.
Na ocasião, Bolsonaro afirmou que o objetivo deveria ser conquistar a maioria absoluta da Casa, de 41 senadores, para mandar “mais do que o próprio presidente da República”.
O grupo também vê a eleição deste ano como uma oportunidade para aumentar a pressão política sobre o Supremo. Bolsonaristas querem ampliar a bancada, disputar a presidência do Senado e tentar fazer avançar pedidos de impeachment apresentados contra ministros da Corte.
O presidente do Senado tem papel central nesse processo, porque cabe a ele decidir sobre o andamento inicial das denúncias.
Caso um processo chegue ao julgamento final, são necessários pelo menos 54 votos, o equivalente a dois terços dos senadores, para determinar a perda do cargo. Até hoje, nenhum ministro do STF sofreu impeachment.
Eleições para o Senado em 2026
- Dois terços do Senado poderão ser renovados nas eleições de outubro. Estarão em jogo 54 cadeiras.
- Cada estado vai eleger dois nomes para a Casa.
- Cada eleitor terá direito a votar em dois candidatos.
- A eleição para senador ocorre pelo sistema majoritário, no qual o vencedor é quem reunir o maior número de votos.
- Em 2026, os dois candidatos com mais votos serão eleitos.
- Os eleitos em outubro vão tomar posse em fevereiro de 2027 e terão oito anos de mandato pela frente.
- Os 54 novos senadores vão se juntar aos outros 27 parlamentares, que ainda terão mais quatro anos de mandato.
Flávio já começou a levar esse discurso para os compromissos de campanha. No sábado (8/8), durante evento em Itapetininga (SP), pediu aos apoiadores que votem nos dois candidatos ao Senado que recebem seu apoio no estado: André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
“Não podemos cogitar dividir nossas atenções para o Senado, sob o risco de entregarmos uma das vagas para a esquerda”, disse.
Flávio também relacionou a disputa ao cenário político nacional. “Todo mundo está vendo o que está acontecendo no Brasil: as injustiças, as perseguições. Ou ganhamos essas eleições, ou o Lula vai jogar o Brasil do precipício sem paraquedas, ainda no primeiro semestre”, afirmou.
No mesmo evento, o candidato disse que pretende usar as quatro possíveis indicações ao STF para escolher nomes que, segundo ele, respeitem a Constituição e não repitam o que “fizeram com Jair Bolsonaro”.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Por causa de problemas de saúde, atualmente cumpre a pena em prisão domiciliar.
“O próximo presidente indica quatro ministros do STF, e eu vou colocar lá homens e mulheres que respeitam a Constituição, que não usem a máquina pública para enriquecer, que respeitem o dinheiro do contribuinte e que não promovam perseguição”, disse Flávio.
Na sequência, acrescentou: “E quem descumpriu a lei vai pagar por isso. A lei tem que valer para todos, inclusive para ministros do Supremo”.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro também voltou a criticar a atuação de ministros do Supremo durante a passagem pelo interior paulista. Segundo ele, por muito tempo, especialmente durante o governo do pai, críticas a integrantes da Corte foram tratadas como ataques à democracia.
“Mas, nas palavras de outro ministro do Supremo, quem está na vida pública tem que aceitar ser cobrado. Se ministro do Supremo quer fazer política, vamos responder na política”, afirmou.
“Se quer ser presidente do Brasil, renuncia e se candidata. Se quer mandar no Senado Federal, renuncia, se candidata e vai disputar a eleição para ser presidente do Senado Federal”, completou o senador.
5 imagens1 de 5Reprodução/YouTube PL2 de 5
Flávio Bolsonaro e Michelle
Reprodução3 de 5
Bia Kicis, Flávio Bolsonaro e Diego Torres
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto4 de 5
Guilherme Derrite discursa durante evento de lançamento da sua candidatura ao Senado, que contou com as presenças do governador Tarcísio de Freitas e do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro
Jessica Bernardo/Metrópoles5 de 5
Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL)
Breno Esaki/Metrópoles
Campanhas alinhadas nos estados
A reunião desta terça também deve servir para aproximar a campanha presidencial das disputas estaduais. A intenção é que os candidatos ao Senado ajudem a levar as principais mensagens de Flávio aos estados e ampliem o alcance de sua candidatura.
Segundo aliados, o encontro buscará deixar claro aos participantes “o que está em jogo no país” e alinhar o discurso antes do início oficial da campanha, em 16 de agosto. Flávio também deve gravar vídeos e outros materiais com os candidatos ao Senado.
Na quinta-feira (6/8), o presidenciável anunciou apoio a 47 candidatos ao Senado nos 26 estados e no Distrito Federal. A lista reúne integrantes do PL e políticos de PP, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSD, PSDB e Novo.
Entre os nomes estão Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), no Distrito Federal; Arthur Lira (PP), em Alagoas; Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), no Paraná; Carlos Bolsonaro (PL) e Carol de Toni (PL), em Santa Catarina; e Marcel van Hattem (Novo), no Rio Grande do Sul.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Kevin Lima.




