Quando se trata da gestão dos resíduos sólidos no Brasil, que foram pouco mais de 81 milhões de toneladas ao longo de 2024, um dos grandes desafios segue sendo aumentar o reaproveitamento dos materiais, a popular reciclagem.
De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, lançado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), menos de 9%, ou 7,1 milhões de toneladas, foram reciclados ao longo do ano.
Parceira Social
Diante desse cenário, a empresa Ambipar vem apontando para um modelo chamado de Cidades Circulares.
A iniciativa de economia circular está em funcionamento atualmente em municípios do interior de São Paulo, Paraná, Recife e, mais recentemente, manteve operação durante a COP 30 no Pará.
Por meio de um sistema batizado pela empresa como Parceria Social de Logística Reversa, ela vem buscando profissionalizar e padronizar a gestão das cooperativas, aumentando a produtividade e elevando a renda.
“Atualmente, mais de 130 cooperativas estão em processo de aceleração dentro da estratégia da Ambipar. No modelo mais avançado de gestão, produção e governança já temos 10 unidades implementadas. Para 2026, planejamos dobrar esse número. Até 2030, nossa meta é alcançar 50 unidades”, explica Maíra Pereira, diretora institucional de Pós-Consumo da Ambipar.
De acordo com a empresa, cada cooperativa que passa para o modelo de Parceira Social registra, em média, um aumento de três vezes na renda dos cooperados e no volume de materiais recuperados e desviados de aterros sanitários ou lixões a céu aberto, ou seja, incluem no sistema de logística reversa mais de 60 mil toneladas de materiais por ano.
O programa opera desde a coleta seletiva pelas cooperativas, passando pela triagem em centrais, disponibilização de equipamentos e sistemas de rastreabilidade e ampliação da cadeia de comercialização.
Desafio
Para Maíra Pereira, além da dificuldade com a formalização e qualificação do trabalho de reciclagem, uma barreira tem sido o arcabouço legal e tributário brasileiro.
“Um grande desafio a ser considerado é que temos uma legislação que permite a importação de determinados resíduos e isso cria um efeito perverso: ao favorecer a entrada de materiais recicláveis do exterior, desincentiva a cadeia nacional de reciclagem, reduzindo a demanda pelos resíduos coletados internamente e comprometendo a geração de renda para cooperativas locais”, ressalta.
“Outro ponto crítico é a carga tributária aplicada às cooperativas. Hoje, muitas delas pagam impostos que não deveriam incidir sobre atividades de interesse socioambiental, pois essas organizações precisam de incentivos e subsídios para se manterem competitivas e sustentáveis”, pondera.
A saída, ainda segundo Maíra, é o avanço na construção de políticas públicas de incentivo ao setor e a criação de meios de financiamento estáveis.
“Esse ponto foi amplamente debatido durante a COP30, em Belém, onde ficou evidente que a transição para uma economia circular exige integração entre setor privado, Poder Público e sociedade civil, além de instrumentos econômicos que viabilizem a logística reversa em escala nacional”, frisa.




