
O sindicalista José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu uma investigação rigorosa sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (23). Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou: “Eu espero que a Polícia Federal investigue de fato toda a sacanagem que tem”.
A operação foi conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e apura um esquema de descontos feitos sem consentimento dos beneficiários. Segundo a CGU, quase 100% das cobranças analisadas eram irregulares. Em muitos casos, os aposentados sequer sabiam que os descontos estavam sendo feitos ou acreditavam que eram obrigatórios.
A investigação revela que as entidades firmavam Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS, o que permitia os descontos em folha. A liberação, porém, era muitas vezes obtida de forma fraudulenta. Em uma amostra de 1.300 entrevistados com descontos em seus benefícios, a maioria não reconhecia ter autorizado a cobrança.
Além do Sindnapi, outras dez entidades foram alvos da operação: Contag (1994), Ambec (2017), Conafer (2017), AAPB (2021), AAPPS Universo (2022), Unaspub (2022), APDAP Prev (antiga Acolher), ABCB/Amar Brasil (2022), CAAP (2022) e AAPEN (ex-ABSP, 2023).
Após o início da operação, seis servidores públicos foram afastados, incluindo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que deixou o cargo após pedido do presidente Lula. Um policial federal também foi afastado, embora sua identidade não tenha sido divulgada.
Em nota oficial, o Sindnapi defendeu Frei Chico e ressaltou sua trajetória no sindicalismo desde os anos 1960, quando atuava como metalúrgico no ABC Paulista. “Frei Chico […] foi uma das vozes mais firmes na luta pela redemocratização do Brasil e pelos direitos dos anistiados políticos”, afirma o texto.
Fonte: Brazil247




