
Integrantes da Frente Parlamentar Evangélica, grupo de 195 deputados federais e sete senadores, se dividiram nas reações à declaração do presidente Jair Bolsonaro, para quem Jesus Cristo “não comprou pistola porque não tinha”. A declaração de Bolsonaro foi feita na quarta-feira (15) em encontro com religiosos no Palácio do Planalto.
Miranda afirma que Jesus jamais utilizaria de qualquer arma de fogo. “Porque o exemplo que Cristo quis dar foi o da paz, essa que Bolsonaro desconhece”, critica ele.
Marcos Feliciano, deputado do PL de São Paulo, relativizou a declaração do presidente. “Obviamente Bolsonaro, que sempre defendeu a autodefesa, apenas contextualizou. Qualquer outra interpretação é pura má-fé”, argumenta Feliciano.
O deputado lembra que na Bíblia Jesus usou um chicote, derrubou mesas, foi contra a vingança ao ensinar sobre dar a outra face, mas em Lucas 22:36 ele mandou seus discípulos comprarem espadas, “claramente para se defenderem de salteadores e bestas feras”. “Não havia arma de fogo naquela época e a espada era a arma mais utilizada, quer seja por aldeões ou soldados. E se existisse arma de fogo em lugar da espada?”, questiona.
Já o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) discorda. “A meu ver, esse comentário deixa claro o desconhecimento da verdadeira intenção de Cristo ter vindo a este mundo”, acredita. “O objetivo de Cristo nessa terra foi justamente tentar fazer com que o homem se aproximasse do pai, essa é a mais pura realidade. E não faria sentido algum ter que fazer uso de arma para poder alcançar esse objetivo. Não diria que é uma mensagem de paz, mas sim uma mensagem de resgate, ele tentou resgatar o homem para o pai”.



