A exposição a um plastificante comum durante a gravidez pode estar ligada a alterações no desenvolvimento cerebral e a sintomas mais intensos de autismo e TDAH na infância. A associação foi observada em um estudo com mulheres grávidas e seus filhos acompanhados até os 4 anos.
O composto analisado é o DEHP, um tipo de ftalato presente em plásticos do dia a dia. Ele pode entrar no organismo por ingestão, inalação ou contato com a pele.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
Alterações no funcionamento dos genes
A análise apontou mudanças na metilação do DNA, um processo que regula a ativação dos genes sem alterar o código genético. Essas alterações atingiram redes ligadas ao desenvolvimento do cérebro, especialmente em áreas relacionadas à emoção, atenção e comportamento social.
Os cientistas identificaram um conjunto de 531 genes associado à exposição ao plastificante. Parte desses genes já é conhecida por ter relação com o risco de autismo e TDAH.
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Segundo os autores, os achados ajudam a explicar de que forma substâncias químicas presentes no ambiente podem influenciar o neurodesenvolvimento ainda no período pré-natal.
Efeitos observados nas crianças
Crianças com maior exposição ao DEHP apresentaram mais sintomas comportamentais nos primeiros anos de vida. Os efeitos foram mais marcantes entre aquelas com níveis mais altos de contato com a substância durante a gestação.
O estudo também encontrou um resultado na direção oposta. Uma alimentação baseada em alimentos integrais durante a gravidez esteve associada a menos problemas de atenção e a melhor interação social nas crianças.
Limites atuais e próximos passos
Os efeitos foram observados mesmo em níveis de exposição considerados seguros por padrões europeus, o que levanta dúvidas sobre os limites atuais para esse tipo de substância, especialmente durante a gravidez.
Apesar da associação, o estudo não estabelece relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os autores defendem a redução da exposição a ftalatos no dia a dia e a revisão de parâmetros de segurança para gestantes.
Os pesquisadores também destacam a necessidade de novos estudos para confirmar os resultados e aprofundar o entendimento sobre como esses compostos interferem no desenvolvimento cerebral.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.




