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Governo quer ampliar tributação das bets e reforçar restrições para beneficiários do BPC

Governo quer ampliar tributação das bets e restringir acesso de beneficiários do BPC e Bolsa Família

Governo pretende endurecer regras para apostas esportivas e proteger pessoas em situação de vulnerabilidade.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (24) que o governo federal pretende ampliar a regulamentação e a tributação das casas de apostas esportivas (bets) como forma de reduzir o uso desses serviços pela população e combater o crescimento do vício em jogos.

Durante evento promovido pela XP Investimentos, Durigan comparou o tratamento dado às plataformas de apostas ao modelo adotado para o cigarro, defendendo maior controle sobre o setor.

“Temos que tratar bet igual tratamos cigarro. Temos que ir tratando com controle”, afirmou o ministro.

Segundo ele, as empresas autorizadas a operar no Brasil devem pagar outorga, recolher tributos e informar ao governo todas as apostas realizadas, permitindo a identificação de apostadores contumazes e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao tratamento dessas pessoas.

Governo reforça proibição para beneficiários do BPC e Bolsa Família

Durigan voltou a destacar que pessoas em situação de vulnerabilidade financeira não devem utilizar plataformas de apostas.

De acordo com o ministro, continuam proibidos de apostar:

Segundo ele, o objetivo é evitar que famílias em situação de fragilidade financeira comprometam sua renda com jogos de azar.

“O governo também trabalha para reduzir a publicidade das bets e ampliar os mecanismos de proteção aos consumidores”, afirmou.

Tributação maior busca desestimular apostas

O ministro afirmou que o aumento da carga tributária sobre as casas de apostas tem dois objetivos principais: elevar a arrecadação e reduzir o consumo.

“Estamos aumentando o tributo porque é justo, é devido e é um desincentivo a um mecanismo que atrapalha a vida das pessoas”, declarou.

Para o Ministério da Fazenda, o aumento dos impostos faz parte de uma estratégia semelhante às políticas adotadas em relação ao cigarro e outros produtos considerados prejudiciais à saúde pública.

Governo também quer reduzir o endividamento das famílias

Além das apostas esportivas, Durigan abordou o crescimento do endividamento das famílias brasileiras.

Segundo ele, o sistema financeiro deve utilizar mais inteligência na concessão de crédito para evitar que consumidores já endividados assumam novas dívidas.

O ministro citou como exemplo a concessão de cartões de crédito para pessoas que já possuem diversos financiamentos em atraso.

Ele ressaltou que o cartão de crédito continua sendo um dos principais fatores de endividamento no país e defendeu o fortalecimento de programas como o Desenrola Brasil para substituir dívidas com juros elevados por modalidades de crédito mais baratas.

Governo mantém meta de equilíbrio fiscal

Durante o evento, Dario Durigan também afirmou que o governo permanece comprometido com o equilíbrio das contas públicas.

Segundo ele, a expectativa do Tesouro Nacional é alcançar superávit primário de 0,5% no próximo ano e estabilizar a dívida pública entre 2029 e 2030.

O ministro reconheceu, entretanto, que o cenário internacional ainda apresenta desafios, como a política monetária dos Estados Unidos, conflitos geopolíticos e as tarifas comerciais anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Apesar das dificuldades, Durigan afirmou que o governo continuará adotando medidas de contenção de gastos obrigatórios e realizando ajustes fiscais para manter a sustentabilidade das contas públicas.

Por Samoel Andrade

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