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Guerras devem dominar discursos na Assembleia Geral da ONU

Por Carinne Souza
Reprodução/Nações Unidas

As guerras e conflitos armados em curso devem ocupar espaço central nos discursos dos chefes de Estado que participam da 81ª Assembleia Geral da ONU, que começa nesta terça-feira (22/9), em Nova York. O encontro ocorre em um cenário de aumento das tensões geopolíticas e de questionamentos sobre a capacidade do sistema multilateral de responder às crises.

As tensões no Oriente Médio e no leste europeu entre Rússia e Ucrânia devem ser mencionados ao longo dos cinco dias de agenda em Nova York, mas não devem ser os únicos. Líderes que participam do encontro também devem chamar atenção para as hostilidades em curso na Europa, Ásia e no Oriente Médio.

Os discursos não devem tratar apenas dos combates, mas também sobre as possibilidades de cessar-fogo, proteção de civis, ajuda humanitária, respeito ao direito internacional e capacidade das instituições multilaterais de mediar conflitos. A atuação da ONU no enfrentamento dessas crises também deve ser abordado e gerar debates no fórum.

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do Metrópoles

81ª Assembleia Geral da ONU

  • A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, com sessões anuais regulares sendo realizadas entre setembro e dezembro. Reuniões emergenciais podem ser convocadas caso haja necessidade.
  • O órgão é composto pelos 193 países-membros da ONU, que têm direito a um voto cada nas discussões.
  • Todos os anos, a Assembleia Geral realiza a Semana de Alto Nível com a presença de chefes de Estado e de governo dos países que compõem a ONU. O evento ocorre em Nova York e é uma oportunidade para lideranças discursarem.
  • Neste ano, o tema do evento é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
  • Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU.

Reformas no Conselho de Segurança

Apesar da expectativa por discursos sobre os conflitos atuais, o apelo de líderes mundiais esbarra em uma realidade na ONU, onde parte da comunidade internacional pede por reformas no Conselho de Segurança.

Focado em garantir a manutenção da paz e segurança internacionais, o órgão tem o poder de impor sanções econômicas contra países, embargos e autorizar intervenções militares. As decisões do conselho são vinculantes, ou seja, todas as nações membros da ONU são obrigadas a cumpri-las.

Desde a fundação, em 1945, o Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Outros dez países ocupam mandatos rotativos pelo período de dois anos.

Apesar da composição, os cinco membros permanentes ditam, na prática, os rumos do órgão. Isso porque eles têm poder de veto, e podem bloquear, de maneira unilateral, a aprovação de uma resolução ou decisão do conselho.

“O Conselho de Segurança foi formado depois da Segunda Guerra Mundial, e reflete a ordem global em vigor naquela época. Então, você tem Estados Unidos, China, Rússia e França representando o sistema em vigor após 1945”, explica o doutor em Política Comparada e analista internacional Paulo Cesar Rebello.

“Uma reforma no Conselho de Segurança hoje é necessária porque a ordem global mudou. Você tem uma maior quantidade de países que têm uma atuação mais forte na comunidade internacional”, completa.

Há alguns anos, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defende que tal renovação comece por países da África. A ideia é garantir um assento permanente para uma nação do continente, que convive, atualmente, com uma guerra esquecida considerada a mais grave crise humanitária do mundo. 

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Lula durante discurso na ONU

Ricardo Stuckert/PR2 de 4

Bandeira da ONU

UN Photo/Manuel Elías3 de 4

Reunião do Conselho de Segurança da ONU

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Trump discursa na ONU

Organização das Nações Unidas

Em guerra civil desde 2023, o Sudão enfrenta níveis catastróficos de fome e pessoas deslocadas por conta da violência.

Estimativas recentes da ONU apontam que mais de 24 milhões de pessoas estão em grave insegurança alimentar no país africano. Além disso, cerca de 14 milhões de sudaneses foram obrigados a deixar suas casas, seja para outras regiões do Sudão ou países vizinhos, por conta da disputa pelo poder entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF). 

Lula já fez críticas a guerras e ONU

Antes do início das agendas em Nova York, o presidente Lula se uniu a Europa, Canadá e Quênia em uma manifesto em defesa do multilateralismo no qual criticaram o aumento dos investimentos em defesas militares no último ano — que chegou à cifra recorde de US$ 2,9 bilhões —, e reforçaram o número de conflitos registrados no mundo em 2025.

“Em 2025, registaram-se 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais elevado desde 1946, enquanto as despesas militares globais atingiram o valor recorde de 2,9 bilhões de dólares”, diz o texto assinado assinado por Lula, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, presidente do Quênia, William Ruto, e primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

No documento, os líderes defendem ainda a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O tema, conforme já antecipou o Metrópoles, deve voltar a aparecer no discurso de Lula, assim como menções aos conflitos que se alastraram ao redor do mundo nos últimos anos — como ocorreu no discurso de 2025 do petista.

“Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento. Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela. O Haiti tem direito a um futuro livre de violência. E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo. No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar”, disse o petista no ano passado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carinne Souza.