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Homem é condenado a mais de 31 anos por tentar matar ex com 16 facadas no Acre

José Maria Ferreira de Oliveira foi condenado a 31 anos, três meses e 13 dias de prisão por tentativa de feminicídio em Sena Madureira.

Henrique Ribeiro Por Henrique Ribeiro

Um homem condenado a mais de 31 anos por tentar matar ex com 16 facadas no Acre teve a sentença proferida pela Justiça nesta quarta-feira (23), em Sena Madureira, no interior do estado.

José Maria Ferreira de Oliveira, de 48 anos, foi condenado a 31 anos, três meses e 13 dias de prisão pelo crime de tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Ocileide Alipe Coutinho, de 41 anos.

A vítima foi atacada com 16 golpes de faca em fevereiro deste ano, dentro da residência onde trabalhava. A sentença também considerou o descumprimento de medidas protetivas de urgência que já estavam em vigor.

O réu deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado e permanece preso, sem direito de recorrer em liberdade. As informações constam na decisão da Comarca de Sena Madureira.

Júri reconheceu tentativa de feminicídio

Durante o julgamento, os jurados reconheceram a materialidade das lesões, a autoria atribuída ao réu e a intenção de matar.

Também foram reconhecidos o contexto de violência doméstica e familiar, o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e o descumprimento das medidas protetivas anteriormente concedidas.

A sentença levou ainda em consideração as consequências da agressão, incluindo as sequelas físicas deixadas na vítima. As medidas protetivas de urgência foram mantidas.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de uma indenização mínima por danos morais equivalente a 10 salários mínimos.

Crime aconteceu dentro da casa onde vítima trabalhava

A tentativa de feminicídio aconteceu em 18 de fevereiro, em Sena Madureira.

Segundo informações da Polícia Militar do Acre citadas pelo G1, José Maria foi até a residência onde a ex-companheira trabalhava sob a justificativa de conversar com ela.

No local, os dois começaram uma discussão. Conforme o relato policial, o homem entrou na residência e atacou a mulher com golpes de faca.

Os gritos foram ouvidos pela dona do imóvel, que conseguiu intervir e conter o agressor por alguns instantes. Em seguida, ele fugiu.

José Maria se entregou à polícia na tarde do dia seguinte.

Vítima foi atingida por 16 facadas

Ocileide foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital João Câncio Fernandes.

Segundo a polícia, apesar dos 16 golpes, duas perfurações foram consideradas mais profundas, mas não atingiram órgãos vitais. A maioria dos ferimentos foi superficial e atingiu principalmente o braço e a região abdominal.

A vítima já havia denunciado o ex-companheiro anteriormente por lesão corporal e possuía uma medida protetiva contra ele quando ocorreu o novo ataque.

Medida protetiva havia sido descumprida

A decisão judicial destacou que o crime ocorreu depois do descumprimento deliberado de uma medida protetiva que já havia sido concedida à vítima.

O juiz Eder Jacoboski Viegas também considerou, na sentença, os fundamentos que mantiveram o réu preso preventivamente durante o processo, entre eles a proteção da integridade física da vítima e a garantia da ordem pública.

Homem publicou mensagem após o crime

Após a agressão, José Maria publicou uma mensagem no status do WhatsApp na qual afirmou ter feito uma “besteira” e se despediu de amigos e familiares.

Na época, o delegado Thiago Parente afirmou que a publicação foi interpretada pela investigação como uma admissão relacionada ao crime. O homem posteriormente se entregou às autoridades.

Como denunciar casos de violência contra a mulher

Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. O Samu pode ser chamado pelo 192 em casos de emergência médica.

Também é possível procurar delegacias de polícia, unidades especializadas no atendimento à mulher, o Ministério Público e outros canais oficiais de denúncia.

No Acre, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) também recebe denúncias de violações de direitos das mulheres.